Vanessa Bragança
Acordei em meio a vozes alteradas, em um cubículo fedorento a mofo, e levei alguns segundos para entender que estava em um banheiro. Tentei me levantar, rastejando, mas uma fita larga e cinza prendia meus pulsos e tornozelos. Minha boca doía; algo a mantinha selada, impedindo qualquer som.
Forcei-me a respirar e a me acalmar. Concentrei-me nos ruídos do lado de fora.
— Isso não era o combinado. Minha irmã já está presa, e agora você quer que venham atrás de mim também? Olha o que aconteceu com o Gabriel.
— Se deixarmos ela viva, vai dar com a língua nos dentes. É isso que você quer? Dar à sua irmã uma companhia na cela?
— Isso vai dar errado. Eu vou embora.
As mulheres continuavam discutindo. Consegui me erguer sem fazer barulho e procurei meu celular, mas ele não estava comigo. Olhei ao redor, desesperada, tentando encontrar algo que me soltasse. Nada.
Então, minha tia percebeu meu movimento.
— Então a bela adormecida resolveu acordar…
Ela puxou a mordaça com brutalidade, machucando minha boca. Engoli a saliva, tentando amenizar o ardor na garganta.
— Como você pôde? — perguntei, a voz trêmula. — Por quê?
— Eu preciso de um motivo? — murmurou, quase para si mesma.
— Minha mãe confiou em você. Cuidou de você, deixou parte da herança, me deixou aos seus cuidados… Por quê?
A sensação era a de que alguém havia enfiado a mão no meu peito e arrancado meu coração. Nada do que ela dissesse justificaria aquilo, mas eu precisava ouvir sua versão distorcida. Eu nem conseguia chorar. O ódio era tão grande que cheguei a desejar ser como Adrian e arrancar a cabeça dela com as próprias mãos.
— Sua mãe sempre foi a filha perfeita — disse, fria. — Notas perfeitas, casamento perfeito, negociante exemplar. E eu? Eu tive que esconder meu filho e viver de migalhas. Até o seu pai deveria ter se casado comigo. Ela me roubou isso também.
Minha tia surgiu com um homem. Ele pressionou um pano de cheiro forte no meu nariz. A escuridão me engoliu outra vez.
Quando tentei abrir os olhos, eles estavam pesados. Vi o homem cavando uma cova. O pânico me atravessou inteira. Comecei a me debater no chão coberto de terra e folhas.
— Socorro! — gritei o mais alto que consegui.
Minha tia gargalhou.
— Ninguém vai te ouvir aqui. Nem perca seu tempo, princesinha Vanessa.
Ela falava com tranquilidade, apoiada em uma pá, enquanto fiscalizava o homem cavando. Então ouvi um uivo ao longe.
Gritei de novo, com todas as forças, desejando ardentemente que fosse Adrian.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...