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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 171

Vanessa Bragança

Poderia ficar quieta e deixar todos pensar que eu estava louca? sim. Mas tenho um senso materno por minha tia — irmã da minha mãe — que ajudou a cuidar da minha mãe enquanto ela esteve doente e segurou a barra quando meu pai ainda não tinha condições. Acalentou-me no enterro e cuidou de toda a papelada. Seria ingrata se não fosse esclarecer o que realmente aconteceu na reunião; se fosse minha mãe, sei que ficaria triste com meu comportamento; a educação das duas sempre foi muito rígida.

Chego ao apartamento da minha tia; é luxuoso, com uma decoração de bom gosto. Lembro-me de ter corrido muito por ali na infância, quando minha mãe me trazia para visitar.

Aprecio as fotos, olhando um móvel onde há várias. Encontro uma minha, sem os dois dentes da frente, e outra dela com minha mãe numa pista de esqui.

— Vanessa, tudo bem, querida? — ela pergunta, com a voz serena.

— Tudo, tia. Só queria explicar pessoalmente o que aconteceu.

— Não era necessário. Basta alguém olhar para você e para a Ivaneide que qualquer tolo adivinha a resposta. Aposto que ela não imaginou que receberia uma negativa, ela nunca recebeu uma.

Sinto-me mais tranquila com a serenidade dela.

— Fiquei preocupada por um momento, mas deveria ter adivinhado que a senhora não cairia nessa falácia.

Falo aliviada.

— Venha, tome um chá comigo e me explique direitinho quem é esse homem com quem você pretende se casar. Ele é bonito, já percebi, mas você falou que ele também é rico... Não quer chamá-lo para se reunir conosco?

A empregada serve o chá; tenho a impressão de conhecê‑la, embora não me lembre de onde.

— Infelizmente nós nos desentendemos — digo.

— Vocês são jovens, isso acontece. Fica para o almoço hoje?

— Saí cedo para uma caminhada. Acabei desviando um pouco para conversarmos; não quero preocupar ninguém, quando derem por minha falta.

— Entendi. — ele estica a perna massageando sua panturrilha—Nossa, estou com uma dor na perna hoje. Você me faria o favor de pegar meus óculos no meu quarto?

— Achei a ligação que procurávamos. Estou te enviando tudo por e‑mail. Olha a data de uma das movimentações; também achei um e‑mail de uma enfermeira que estou anexando.

— Temi, obrigado. — desliguei a chamada e comecei a checar o e‑mail. Seria uma decepção horrível para Vanessa; queria que o pai dela tivesse encontrado aquilo e sentido o gosto da vingança, mas não posso deixar minha fêmea próxima desse tipo de gente.

Procurei primeiro o pai dela. Seria melhor que ele estivesse presente para a conversa.

Mostrei a ele o e‑mail com as transações financeiras da tia de Vanessa para Gabriel Santos — a tia o havia infiltrado, mesmo usando a máscara de quem não gostava dele. Pior: havia um e‑mail de uma enfermeira enviado ao diretor do hospital, relatando suspeita de troca de seringas e apontando a própria irmã como a mais próxima. O diretor disse que a câmera não havia pego nada e que eles precisariam de provas para abrir processo. O que quer que tivesse sido aplicado passou despercebido entre outros medicamentos.

O pai de Vanessa entrou em choque; lembrou‑se de que, dois meses após a morte da esposa, a cunhada tentara seduzi‑lo. Ele a rechaçou, mas não se afastou definitivamente.

"É melhor avisarmos a Vanessa, ela confia muito nessa tia", pensei. Achei que poderia ser a prima, ou outra pessoa, mas a ideia de que fosse a própria tia me deixou ainda mais revoltado.

Dei essa noite para o pai dela se recompor. Ele estava arrasado, além de furioso.

Pela manhã fui ao quarto de Vanessa, estava vazio. Enviei uma mensagem e gelei ao ver a resposta dela.

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