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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 169

Vanessa Bragança

Começo a pensar que a próxima vez em que estarei em uma reunião de família será em um funeral. Ivaneide lançou no grupo do aplicativo da família a acusação de que meu noivo a havia assediado e que, ao negar seus impulsos animalescos, ela teria sido agredida.

Levanto da cama e digito furiosamente no teclado do celular. A família está dividida: há quem caia nas lágrimas de crocodilo dela e há quem me defenda com unhas e dentes. Ando tão concentrada que quase atropelo Adrian no caminho.

Não sei quanto tempo fiquei sem respirar, mas sinto que volto a respirar com a presença dele.

Adrian está calado desde o início de toda essa confusão; só agora me dou conta de que tudo o que ele faz é me seguir.

— Precisa de algo, Adrian?

— Você falou que eu sou seu homem.

— E o que tem isso agora? Por Deus...

Começo a desviar dele para dar outra resposta, quando ele me puxa de volta. Adrian me beija como se estivesse esperando por isso o tempo todo; seus braços me apertam e sua boca me devora. Esqueço a briga online e foco apenas nele.

— Adrian...

— Diga de novo.

— Você é meu homem — digo, sorrindo.

Adrian me coloca na cama, e uma urgência absoluta brilha em seus olhos.

— De verdade, você me quer assim?

— Sim. É o que eu quero. E não me importo que metade da minha família diga que minha saúde mental está abalada. Quero seguir contigo.

— Quer que eu dê um fim nela?

— Por Deus, Adrian, não é para tanto.

— Eu mataria qualquer um que encostasse em você.

E o pior é que acredito em cada palavra. Ele realmente teria essa intenção.

Seus lábios descem pela minha garganta e, agora, pouco importa a fofoca da família. Tudo o que me importa são suas mãos passeando pelo meu corpo, o calor entre minhas pernas e meu anseio para que elas cheguem mais abaixo.

Ajudo a tirar sua camisa com ansiedade.

— Então já poderei dormir abraçadinho com você em sua cama esta noite, minha luna?

Enrijeço. Adrian, sensível como é, percebe imediatamente.

Ele levanta o corpo, ficando com um joelho apoiado entre minhas pernas e o outro já no chão.

— Adrian...eu não sou o tipo para romance no momento.

— E eu não sou o tipo que gosta de indiferença. Não sou segunda opção — diz, já se levantando e pegando a camisa. — Você está de luto pelo cara que tentou te matar, é isso?

Abro a porta com raiva, encarando o macho com um olhar furioso.

Ele entra sem convite. Seu olhar passeia pelo quarto até parar na porta fechada do pequeno cubículo onde mantenho meu computador, equipado com os programas mais modernos. A porta permanece fechada, e não pretendo abrir para matar a curiosidade dele.

— O que é tão importante? Achei que já tivéssemos combinado tudo referente ao nosso contrato, beta Felipe.

Cruzo os braços e ergo o queixo, desafiando o ogro.

Ele avança devagar, observando em silêncio, até parar em frente à porta. Estreita os olhos.

— Eu vim dormir com você.

Não consigo formular uma palavra antes de ele escancarar a porta do cubículo.

— Então é isso que você esteve fazendo o dia todo?

Reviro os olhos.

— E o que exatamente você achou que eu estava fazendo, Felipe?

Ele avalia meu material de ponta, três telas estão abertas, e um retângulo em vermelho aparece grande na tela do meio. Solto um grito eufórica.

— Achei, eu achei !

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