Artemísia
Arrumei alguns arquivos na minha mochila, me despedi de Vanessa e Adrian e mudei de ideia. Sair ao amanhecer não adiantaria muita coisa; eu não conseguiria dormir.
Peguei o celular e disquei para um amigo de infância.
— Aerin.
— Fala, Temi.
— Pode me dar uma carona?
— Onde você está?
Enviei minha localização e, em quinze minutos, o macho pousou na minha janela.
— Então, onde pegou fogo? — perguntou ele.
Expliquei que iria conhecer pessoalmente o Felipe. A primeira vez não conta, eu ainda usava fraldas.
— Se isso der errado, lembra que eu sempre fui contra. — O tom era brincalhão, mas havia verdade por baixo.
— Aerin! — finji estar brava, mas isso seria impossível; eu o amo, tanto quanto amo meus irmãos de sangue.
— O quê?! Alfas vivem arrumando briga mesmo — soltou ele em desalento — já tivemos mil vezes essa conversa.
Ele abriu os braços; passei-os ao redor de seu pescoço e cruzei as pernas na cintura dele. Aerin abriu suas longas asas e, num segundo, estávamos no ar, longe da terra, vendo tudo pequeno lá embaixo. Ania havia lançado um feitiço para que humanos não conseguissem vê-lo durante os voos, por precaução.
— Aerin, acho que é a última vez que vamos voar assim... — disse eu.
Na verdade, eu o chamei porque queria me despedir.
— Eu sei, Temi. O seu Alfa vai te proibir de chegar perto de qualquer macho. — Ele falou num tom sério, seu maxilar travando dessa vez.
— Me chama se precisar de uma carona a qualquer hora, irmãzinha. Vou sentir sua falta. — Aerin aterrissou e ficamos abraçados.
— Quem me dera se a deusa tivesse me feito sua Luna.
Minha Luna entrou; suas pequenas mãos me provocavam enquanto ela me beijava com doçura. Puxei-a para dentro do quarto e tranquei a porta. Ela deitou na cama; seu olhar me devorava, um convite irrecusável.
Ainda havia pequenas gotas de banho em seu corpo. Pode ser que ela não tenha uma loba, mas é tão esfomeada quanto uma.
Resolvi ir na contramão das outras vezes e levar as coisas com calma hoje. Levantei sua perna e beijei o dorso do pé, subindo delicadamente até as coxas. Senti a ansiedade em seu corpo e provei o seu gosto. Ela ofegou. Estudei cada reação enquanto fazia um círculo com a língua e, então, suguei um pouco. Ela arqueou o corpo em minha direção, desesperada por mais. Hum—isso é bom. Amo ver minha fêmea saciada: cabelos desalinhados, bochechas rosadas, meio acordada e lutando contra o cansaço depois de tudo. Deitei-me ao seu lado. Eu quero muito segurar seu corpo contra o meu e passear minhas mãos em seus cabelos sedosos.
Instantaneamente percebi que ela enrijeceu um pouco e, logo em seguida, disfarçou, levantando-se para ir ao banheiro com um lençol enrolado ao redor do corpo. Aí estava a minha pequena fugitiva. Meu lobo choramingava na minha cabeça, querendo sentir seu calor.
— Fica comigo esta noite. — Levantei-me e segurei sua mão antes que ela saísse.
— Preciso ver algumas coisas que cancelei para o casamento.
— A essa hora?
— É online. — Ela me deu um beijo rápido e foi embora.
A dolorida pontada no meu peito confirmou a rejeição.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...