Adrian
Uma mulher foi trazida à minha presença, amarrada, com uma mordaça na boca.
— Vou explicar o que eu quero. Se a sua resposta for boa, você sai daqui viva. Entendeu?
Ela balançou a cabeça em concordância. Retirei a corda que servia de mordaça.
— Quem exatamente trabalhava com Gabriel? E tudo o que souber sobre ele.
— Eu… eu não sei do que está falando…me deixem ir embora, por favor.
Seu rosto tinha um caminho de lágrimas. Ainda assim: Ela mentia.
Eu poderia arrancar a verdade do meu jeito; seria muito mais rápido. Mas, primeiro, se eu fizesse isso, não poderia entregá-la a mais ninguém. Sobraria pedaços. Segundo, daria a mulher de presente ao meu sogro. O homem merecia sua vingança, e eu ainda provaria minha competência.
— Façam a passarinha cantar do jeito humano — ordenei. — Depois, entreguem-na ao pai da Vanessa. Digam que foi um presente meu.
Saí de lá e voltei à casa da Vanessa a tempo do jantar. Não queria parecer irresponsável com horários diante do meu sogro. Além disso, Vanessa já perdeu a mãe, me questiono afastar ela do seu pai também, preciso que ele me aceite para manter minha fêmea feliz.
Durante o jantar, o pai de Vanessa já me olhava de forma diferente. Eu sabia que havia recebido o presente. Levantei o olhar e ele me deu um leve aceno afirmativo.
— Vanessa, algumas amigas suas ligaram preocupadas. Agora que voltou, por que não ligou o celular, filha?
Droga! Vou dividir minha fêmea com uma dúzia de amigas.
Vanessa me lançou um olhar que, para todos, parecia normal; para mim, soava claramente como: eu te disse.
— Ainda estou digerindo algumas coisas, pai. Não quero conversar sobre amenidades agora. Só mais alguns dias, está bem?
Vi o pai dela segurar a mão da filha. Controlei meu lobo, que tinha vontade de arrancá-la dali.
Ela me olhou, arqueando uma sobrancelha, desconfiada.
— O beta de garras de gelo está no Sul.
Ela congelou. A respiração travou e depois foi solta de uma vez.
— Temi?— ela ficou pálida.
— Está tudo bem. Esse dia ia chegar, afinal, não é?
Eu não sei, se ela estava me consola do outro a si própria.
— Sim, mas lembre-se: você é minha irmã. Se ele te machucar, me procure, te dou abrigo e arranco o coração dele. Está bem?
Temi me abraçou forte, como quando éramos meninos. Meu coração doeu. Eu sabia o que ela enfrentaria — o mesmo que nossa mãe. E as histórias não eram animadoras: uma ferida de batalha dói bem menos do que um coração partido.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...