Liliane
O pote que guardava os lápis de cor passou voando por mim; inclinei-me e ele bateu na lousa atrás, derrubando-se e espalhando os lápis por todos os lados.
— Por que fez isso, Castiel?
— Eu sou um alfa. Eu mando, e você é uma ômega. Obedece. Já cansei de estudar por hoje.
Cruzei os braços, encarando o monstrinho de quatro anos que atrapalhava novamente minha aula. Castiel é de uma matilha pequena na floresta; sua mãe se esforçou para lhe dar educação e pediu ao alfa Godric que o matriculasse na escola da matilha do Sul, uma das melhores do reino lupino.
— Você tem linhagem de alfa, mas não é MEU alfa; não te devo respeito nem obediência. Um alfa precisa conquistar o respeito dos colegas, não basta ser só um valentão.
— Basta ser o mais forte, quer ver? Faça polichinelos sem parar, Lucas.
O pobre menino ômega começou a fazer polichinelos sem parar.
— É assim que vai ser? — perguntei.
— Sim — respondeu Castiel com tranquilidade, enquanto o colega ofegava.
— Não saiam dos seus lugares. Já volto.
Saí da sala em busca de um guerreiro de sangue alfa; graças a Selene, na matilha do Sul não faltavam. Avistei um guerreiro enorme, com cara assustadora — exatamente o que eu precisava para pôr Castiel no lugar.
— Ei, você! Me dá uma ajuda aqui, por favor? — chamei.
Ele pareceu querer fugir; afinal, nenhum guerreiro gostava de lidar com filhotes. Mas todos que patrulhavam perto da escola sabiam que podiam ser o "sortudo" da vez. Peguei sua mão e puxei antes que inventasse qualquer desculpa.
— É rápido!
Quase saí do papel de professora e ri quando Castiel esbugalhou os olhos.
— Agora vamos ter a nossa primeira aula sobre alfas.
Aquiles
— Pelo cabelo platinado e pelos olhos azuis, você é o famoso "demônio do gelo". Prazer — disse ela, fazendo um gesto em direção à estante de livros — eu sou Liliane, a professora do infantil.
Afastei-me como se ela fosse se assustar e começar a gritar a qualquer momento.
— Prefiro que me chame de Aquiles.
Ela estendeu a mão, firme, para me cumprimentar.
— Você sabe que eu poderia te transformar num cubo de gelo, né?
Estranho: senti uma satisfação interna por não vê-la nervosa diante da minha típica provocação.
— Que assustador — disse ela.
Mas ela não estava tremendo; um pequeno sorriso insinuava-se nos lábios.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...