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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 71

O silêncio que se instalou no quarto foi longo o suficiente para eu começar a me arrepender.

Arthur ficou quieto, olhando para algum ponto entre nós dois que não era exatamente eu e não era exatamente o chão. Eu sabia que estava processando. Sabia que era muita coisa para ser despejada de uma vez — uma vida inteira empilhada numa única conversa sem intervalo para respirar. Mas ele tinha pedido. Ele tinha insistido. E eu estava cansada de mentir para pessoas que não mereciam isso.

— É isso que você está fazendo quando foge da polícia? — ele perguntou, por fim. A voz saiu mais baixa do que o normal, como se ele ainda estivesse montando as peças enquanto falava.

— Tentando não ficar visada. Para nenhum dos lados.

Ele assentiu devagar, como quem confirma uma hipótese.

— Seu pai não sabe onde você está?

— Ah, ele sabe. — Soltei o ar pelo nariz. — Ele sabe perfeitamente. Sabe mais do que eu gostaria. Eu tive que voltar para perto dele, para a favela. Quando decidi fugir, com quinze anos, eu não acreditei muito nessa história de que não podia sair de perto dele. Achei que era intimidação. Fui embora, tentei fazer o que a minha mãe fazia antes.. trabalhar pelos lugares, ficar pouco, ir embora antes de criar raízes. Mas não funcionou por muito tempo. Eu era menor de idade, e... — parei por um segundo, escolhendo como dizer o que vinha a seguir — acho que você consegue imaginar o único tipo de “trabalho” que queriam de mim — fiz as aspas com os dedos, deixando claro ao que eu me referia.

— Zara... — O nome saiu com um carinho e uma preocupação que me fizeram querer desviar o olhar. Porque eu não estava acostumada com aquele tom.

— Eu nunca fiz isso — falei rápido, antes que ele chegasse a uma conclusão errada. — Nunca me vendi. Mas se for verdade o que falam da minha mãe... as fofocas que ouvi... eu entendo ela ter feito. A vida não foi fácil. — Deixei aquilo pousar antes de continuar. — Eventualmente tive que voltar para a favela. Era o único lugar onde conseguia pagar para viver. E era melhor estar em um território de domínio dele do que de domínio contrário. Pelo menos ali eu sabia as regras.

Arthur ficou me ouvindo sem interromper, com aquela atenção quieta que às vezes era mais pesada do que qualquer reação barulhenta.

— Ele nunca mais falou comigo, sabe? Desde os meus quinze anos. Já cruzei com ele nas ruas algumas vezes. Nem um olá. Acho que não quer que desconfiem de nada. Que sou filha dele.

— Acha que ele se importa? — A voz de Arthur tinha ficado mais dura, com uma raiva contida que ele estava claramente se esforçando para não deixar vazar. — Que é esse o jeito dele te proteger?

— Claro que não, eu não sou burra! Mas se pegam a filha dele, atingem o que é dele dele. Atingem o ego dele. Então, pelo bem ou pelo mal... ele me mantém segura. É o que tem.

Arthur concordou com a cabeça numa espécie de resignação amargurada, como quem aceita uma lógica que odeia ter que aceitar.

— E o anel?

Olhei para ele.

— O anel?

— Eu sei que você não foi assaltada. Sei que entregou o anel de noivado para um agiota.

— Como você...?

— Só sei.

Fiquei olhando para ele por um segundo antes de desistir de questionar.

— Fiquei doente e precisei de dinheiro — disse, dando de ombros. — Consegui como pude.

Arthur também se levantou.

Veio até mim, entrou na minha frente, me segurou pela cintura com as duas mãos e me fez parar. Forçou que eu olhasse para ele.

— Estou sendo honesto com você, Zara. Porque você está sendo honesta comigo. — A voz dele saiu firme, mas sem agressividade. — Sim, eu achei. Tive essa dúvida. E ainda assim te livrei da polícia. O que deveria significar alguma coisa.

— Significar o quê, exatamente? — Perguntei, ainda na defensiva.

— Que estou disposto a te defender. Não importa de quem.

— Pois não deveria. — Sacudi a cabeça. — É exatamente esse tipo de coisa que coloca a sua vida em risco.

— Claramente não estou preocupado com isso.

— Mas deveria estar!

— Zara... — Ele me puxou um pouco mais para perto, e a firmeza com que fez aquilo não era possessiva, era cuidado. — Eu sou um Sartori. Você vai se casar comigo. Seu passado... vai finalmente realmente ficar no passado.

E então ele me puxou para um abraço.

Meu corpo simplesmente cedeu. A testa foi parar no peito dele, e eu fiquei ali, sentindo o cheiro de sândalo e o calor dele. Não tentei me afastar. Não havia motivo para isso.

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