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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 47

Tinham me levado para uma espécie de salinha médica improvisada. Uma maca, um biombo, uma maleta de primeiros socorros, duas cadeiras de metal e um ar-condicionado tão gelado que parecia decidido a me castigar por todos os pecados que eu tinha cometido naquela noite.

Eu tinha sido atendida. Estava bem.

Se é que podia mesmo ser considerado “estar bem” ficar completamente descabelada, com o vestido molhado de água de chão de banheiro, o rosto quente de raiva e humilhação, e um galo começando a nascer no topo da cabeça como se meu corpo tivesse resolvido me dar um lembrete físico da minha falta de controle.

Eu segurava uma bolsa de gelo embrulhada em pano contra a cabeça e encarava o teto deitada na maca, tentando me convencer de que não estava prestes a vomitar, chorar ou fugir. Tinham me dado um analgésico, mas ele ainda não tinha feito o favor de me devolver a dignidade.

A porta abriu.

Eu achei que fosse um dos médicos voltando. Talvez para perguntar se eu estava tonta, se estava vendo tudo em dobro, se ainda sabia meu nome completo. Em vez disso, quem entrou foi Augusto.

— Vô? — falei, tentando me sentar e descobrindo imediatamente que aquilo era uma péssima ideia.

A dor latejou na minha cabeça com tanta violência que eu precisei fechar os olhos.

— Não, não, fica deitada — ele disse, vindo rápido até a maca. — Sem heroísmo. Pelo menos não por cinco minutos.

Obedeci, o que por si só já mostrava que eu realmente tinha batido a cabeça.

— Eu aprontei — emendei, antes que ele precisasse dizer qualquer coisa.

Augusto me olhou por um segundo. Depois riu.

Riu mesmo. Com aquela suavidade quente que fazia parecer que ele estava rindo não de mim, mas ao meu lado.

— Percebi no momento em que você não desceu aquela escada.

Soltei um suspiro derrotado.

— Sinto muito.

— Não sinta. — Ele puxou a cadeira e se sentou ao meu lado. — Tenho certeza de que teve seus motivos.

Fez uma pausa. Abaixou um pouco a voz e acrescentou:

— Eu também não gostei muito daquela senhora.

Aquilo arrancou de mim um sorriso pequeno e dolorido.

— Então a história se espalhou.

— Completamente. — Ele cruzou as mãos, olhando para mim com aquela calma que às vezes parecia um cobertor. — Mas, certamente, não a verdade.

Engoli em seco.

— Quer me contar o que aconteceu lá dentro?

A pergunta era simples. A resposta, não.

Porque o problema não era só o que tinha acontecido no banheiro. Então, em vez de responder, perguntei:

— Por que todo mundo parece odiar a minha mãe?

Augusto não respondeu de imediato.

A pergunta pegou nele. Eu vi. Foi como se alguma coisa atravessasse o rosto dele por dentro e demorasse um pouco a encontrar saída.

Quando finalmente falou, a voz veio baixa.

— Heleninha fez escolhas que muitos não aprovam. Inclusive eu. — Ele respirou fundo antes de continuar. — A diferença é que eu tentei, até onde pude, trazê-la de volta para o meu lado. Enquanto outras pessoas só preferem... fofocar a respeito.

Olhei para o teto por um segundo.

— Como quando ela saiu de casa?

— Sim.

— E agora eu dei a ela o que ela gosta, não é? — murmurei. — O centro das atenções.

— Só até o próximo escândalo.

Eu ri baixo.

— Que provavelmente também vai ser causado por mim.

Dessa vez, nós dois rimos juntos.

O riso ajudou. Pouco, mas ajudou. A dor na cabeça continuava ali. A vergonha também. Mas, por alguns segundos, o mundo ficou menor e mais suportável.

Até eu estragar tudo de novo.

Porque o problema é que eu não conseguia deixar aquilo quieto. Não depois do que tinha ouvido. Não depois de ouvir meu avô dizer que minha mãe fez escolhas que ele não aprovava. Não depois de perceber, com uma clareza desconfortável, que eu talvez tivesse passado a vida inteira convivendo com um buraco no meio da história dela e chamando aquilo de passado.

Então eu mudei o tom.

— O problema... — comecei, mais devagar — é que o senhor diz que essas pessoas estão falando da minha mãe sem realmente tê-la conhecido.

Augusto ergueu os olhos para mim.

— Sim.

— Mas eu conheci? — perguntei.

O silêncio que veio depois foi pequeno. Mas muito cheio.

Eu continuei, porque agora já não dava para voltar atrás:

— Vô... por que exatamente você e minha mãe brigaram?

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