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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 35

Eu me virei tão rápido que minha bolsa quase caiu do ombro.

Por um segundo, não reconheci o homem. O meu cérebro demorou aquele meio segundo horrível para encaixar a voz, o rosto, o tipo de perigo.

Quando reconheceu, meu estômago afundou.

Ele estava parado a poucos passos de mim, como se fosse a coisa mais normal do mundo alguém como ele estar ali. Magro demais, ombros duros, a barba falhada, os olhos fundos e atentos daquele jeito que eu conhecia bem: homem de quebrada que parecia meio acabado, mas que ainda assim fazia todo mundo ao redor entender que era melhor não mexer com ele. Não era exatamente um noia. Era pior.

Meu coração disparou.

— O que você tá fazendo aqui?

Ele abriu um sorriso pequeno, feio e sem humor.

— Vim te lembrar que não é porque você saiu da favela que sua dívida morreu.

A palavra dívida me bateu como uma pancada.

Eu tinha pegado aquele dinheiro emprestado numa emergência de saúde. Tinha ficado doente de um jeito que não dava para ignorar ou esperar, e remédio, exame e consulta saíram muito mais caros do que eu imaginava. Na época, eu não tinha escolha. Peguei o dinheiro e fui pagando como dava. Religiosamente. Sem atraso. Sem desculpa. Sem gracinha.

— Eu nunca atrasei uma parcela — respondi, me obrigando a manter a voz baixa. — Não precisa se preocupar com isso.

Mas então pensei melhor.

Eu não precisava mais arrastar aquilo.

Podia pagar tudo de uma vez. Podia acabar com aquela merda ali mesmo.

— Aliás, vou pagar tudo de uma vez. Hoje.

Ele riu com desprezo.

— Teu padrão de vida aumenta, tua dívida aumenta, bonitinha.

Senti a raiva subir na hora.

— Não vem não. Temos um acordo.

— O acordo muda quando eu quiser que o acordo mude.

Ele deu um passo à frente.

Foi só um passo. Pequeno. O suficiente para eu sentir o cheiro de cigarro, álcool e ameaça.

— Você não pode fazer isso.

— Posso fazer o que eu quiser.

Meu corpo entrou naquele estado horrível em que medo e raiva parecem exatamente a mesma coisa.

Olhei em volta de relance. Alunos entrando, gente atravessando o portão, gente olhando o celular, gente vivendo a própria vida sem fazer ideia de que eu estava a poucos segundos de perder muito mais do que a paciência.

— Escuta — tentei de novo. — Eu te dou o dinheiro. Mas não aqui, do nada. Então você espera até o fim do dia e...

— Se eu te der o anel, nossa dívida tá quitada?

Ele sorriu daquele jeito nojento novamente.

— Claro.

Eu o encarei por um segundo sem saber se podia confiar ou não. Decidi que não podia. Eu nunca podia confiar nesse tipo de gente.

Ainda assim, a opção de não entregar o anel era pior.

Por um segundo, fiquei só olhando para a pedra verde, bonita demais para aquela cena, como se o absurdo daquilo pudesse me dar mais tempo. Não deu.

A verdade? Aquilo não era negociação. Ele estava me roubando, e eu sabia disso.

Relutante, entreguei o anel.

Ele o pegou e o fechou na palma da mão, como se fosse nada.

— Ótimo. Boa menina. Agora vai fazer tua prova, vai.

Eu nem perguntei como ele sabia da prova. Eles sempre sabiam tudo.

Então eu dei as costas e entrei correndo na faculdade, com o coração disparado.

Meu avô estava certo. Era melhor eu começar a usar o motorista agora. E talvez um segurança.

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