Entrar Via

INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 18

Minha risada curta que saiu antes que eu decidisse se era apropriada.

— Alicia, você é ridícula.

— Sou? — Ela inclinou a cabeça, me observando com aquele seu olhar típico de quem achava que sempre ganhava tudo. — Porque me parece que eu tenho uma informação muito interessante nas mãos.

— Fala o que você quiser. Não muda o fato de que aquele teste é verdadeiro.

— Tão verdadeiro quanto o namorado que você inventou?

Ri de novo, dessa vez com mais vontade.

— Meu namorado. — Parei. — Na verdade, meu noivo. É Arthur Sartori. E logo todo mundo vai saber disso.

Dava para ver em seu rosto uma mistura de inveja e ódio que entregava que ela sabia que, agora, eu tinha ficado maior do que ela esperava. Mas ela não ia me deixar pensar isso, claro.

— Não é porque você é neta do Altieri que você está nesse nível, Zara. — A voz dela ficou baixa, agressiva, como se ela finalmente fosse falar o que queria e não o que permitiam. — Você é tão puta quanto a sua mãe foi.

O salão continuou acontecendo ao redor de nós. Música, conversa, gente rindo. Mas eu... eu só consegui sentir o meu corpo tremendo inteiro enquanto a raiva ia nascendo de um lugar muito fundo e crescendo, crescendo e crescendo até explodir.

— Não fala da minha mãe — disse, e a voz saiu mais calma do que eu esperava, o que era perigoso. — Cala essa boca.

— Ou o quê?

— Ou eu te faço calar.

Ela riu e deu um passo para trás, os olhos varrendo o salão ao redor de nós, certa de que eu não faria nada na frente daquelas pessoas.

Mas eu fiz.

Enfiei o pedaço de mini cachorro-quente que ainda tinha nas mãos inteiro dentro daquela boca e apertei.

— Fala agora. Fala da minha mãe agora!

Alicia arregalou os olhos numa expressão que eu nunca tinha visto nela antes e que eu poderia descrever como pânico absoluto. Ela não sabia se comia, se cuspia ou se saía correndo. Eu mantive a pressão por mais um segundo só para garantir o efeito pedagógico.

Foi quando uma mão fechou no meu braço.

— O que está acontecendo aqui?

Arthur. Claro que era Arthur. Voz baixa, controlada, o tipo de tom que significa que a situação é grave demais para gritar.

Alicia aproveitou o momento de distração para tomar a decisão de cuspir o cachorro-quente em um guardanapo. A boca dela, porém, continuava vermelha de molho quando ela endireitou os ombros e anunciou, com lágrimas que apareceram rápido demais para serem reais:

— Essa garota é louca. Completamente louca.

E saiu.

Eu sabia que estava encrencada, mas... foda-se. Mas do que encrencada eu estava era satisfeita.

Arthur me soltou o braço e se virou para mim com uma de quem está fazendo um esforço ativo para não explodir.

— Foi isso que eu quis dizer com...

— Favelada? — interrompi. — É, eu sei. Mas ela me ofendeu. Ofendeu minha mãe.

— Ninguém liga.

— Mas ela...

— Ninguém liga! — Ele repetiu. Baixo, mas com uma força que cortou qualquer coisa que eu fosse responder. — Todo mundo só liga para o fato de que a neta do Augusto Altieri está nessa sala de jeans e camiseta, falando alto e atacando uma convidada com cachorro-quente. É essa a imagem que você quer passar?

— Bem, essa sou eu.

— Porque não estou — Genevieve inclinou a cabeça. — A verdade? Metade desse salão queria fazer a mesma coisa com a Alicia há anos. Você só foi a primeira a ter coragem. E a criatividade.

Soltei uma risada antes de conseguir impedir.

Ela pegou uma taça da bandeja de um garçom que passava, mas não me ofereceu. Talvez porque já tivesse percebido que eu estava no limite entre rir e pedir para ser engolida pelo chão de mármore.

— Você está muito assustada? — ela perguntou.

A pergunta saiu de um jeito tão direto que me pegou desprevenida.

— Bastante — admiti, sem saber muito bem por que estava fazendo isso na frente de uma total desconhecida.

Genevieve ergueu uma sobrancelha.

— Ótimo. Só não deixe ninguém perceber.

Foi quando ela fez um sinal discreto com os olhos. Me virei. Augusto vinha na nossa direção acompanhado de de Angélica rindo de alguma coisa com a animação de quem acabou de ouvir a melhor piada do mundo.

— Sabe, Zara, estive conversando com seu avô. — Ela disse isso com o tom de quem está prestes a fazer um favor enorme. — Em alguns dias acontece o Baile de Debutantes. Já está em cima da hora, e temos tudo organizado, mas... eu posso conseguir uma vaga para você.

— Baile de... debutantes? — repeti.

Genevieve se aproximou discretamente e murmurou:

— É um baile para apresentar oficialmente jovens mulheres da elite como disponíveis para conhecer pretendentes.

— Não, mas eu achei que... que eu e Arthur já...

— Maravilhoso, maravilhoso! — Augusto interrompeu, radiante. — Zara com certeza estará lá.

Então nosso noivado não seria anunciado hoje à noite? Mas... eu ainda me casaria com Athur Sartori ou meu avô estava mudando de ideia? Ou... ou será que Arthur estava mudando de ideia?

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO