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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 17

Desci do palco com o sorriso grudado no rosto. Aquele sorriso falso que já vi muitas pessoas segurando só porque tinha gente olhando e você não queria precisar dar explicações. Agora eu entendia o quanto ele era útil.

Augusto me guiou pelos próximos vinte minutos. Investidor daqui, cliente de lá, amigo de família acolá. Eu apertei mãos, sorri, disse que era um prazer, disse que estava muito feliz, disse algumas variações do mesmo conjunto de palavras, enquanto eu só tentava desesperadamente esconder o quando eu sentia que não cabia ali.

Quando o ritmo finalmente desacelerou, Augusto se virou para mim com um sorriso cansado mas satisfeito.

— Vou te deixar se divertir um pouco. Não vai querer ficar a noite inteira presa comigo.

— Bom, você me parece a melhor pessoa aqui presente — respondi. — Junto com a Geórgia. Então sim, eu adoraria ficar presa com você.

Ele riu.

— Você precisa fazer amizades da sua idade. Um velho e uma adolescente não contam.

— Funcionam muito bem pra mim.

Ele balançou a cabeça, ainda rindo, e antes de se afastar parou num garçom que passava e pegou algo da bandeja. Me entregou com um sorriso de quem sabia exatamente o que estava fazendo.

— Precisa comer alguma coisa.

Um mini cachorro-quente.

Olhei para ele. Olhei pro cachorro-quente. Voltei pra ele.

— Você não fez isso.

— Eu disse que a noite era pra você.

Ele se afastou com uma piscadela, me deixando ali com meu cachorro-quente de festinha infantil em um salão onde as pessoas bebiam champanhe em taças de cristal caro.

Olhei para o negócio por um segundo. Pãozinho, salsicha, molho vermelho. A coisa mais humana daquele salão inteiro. Mordi com uma satisfação que eu não me envergonhei nem um pouco de sentir.

Estava ainda mastigando quando me virei para sair e encontrei Alicia parada na minha frente como se tivesse sido plantada ali.

— Quando eu ouvi falar da tal neta do senhor Altieri — ela disse, com uma calma falsa na voz — achei que fosse uma criança. Ainda mais com o menu desses... — Ela fez uma pausa proposital. — Mas céus, Zara. Você conseguiu, não conseguiu? Deu o golpe mesmo.

— Cala a boca. Você não sabe do que está falando.

— Me conta. Como você armou tudo isso?

— Eu não armei nada.

— Claro que armou.

Eu ia responder, mas uma mulher se aproximou pelo lado direito com o timing perfeito para evitar uma briga de escalar. Era elegante, bem-vestida, com a mesma estrutura facial da Alicia, mas alguns anos mais velha.

— Ah, vocês já se conheceram! — ela disse, como se aquilo fosse a melhor notícia do dia. — Prazer, querida. Sou a mãe da Alicia. Pode me chamar de Angélica.

— Prazer em conhecê-la, senhora Angélica.

— Sem o senhora, por favor. Nossas famílias são amigas há anos, dispensamos as formalidades. — Ela olhou de mim para a filha e de volta para mim com entusiasmo. — Olhe para vocês, devem ter a mesma idade, não é? Seriam ótimas amigas! Alicia, querida, por que não marca uma tarde de compras com a Zara?

— Essa é uma ótima briga. Com licença um instantinho, queridas.

E se afastou.

Ficamos as duas em silêncio por exatamente dois segundos.

Olhei para Alicia, que continuava branca, e ri.

— O que? O que você estava com medo de eu falar? O quanto você é uma biscate? Que já dormiu com metade dos veteranos? Ou que a gente se odeia e que você armou um plano para me doparem? — Inclinei a cabeça. — Meu Deus, Alicia. Sua mamãe é seu ponto fraco?

Ela se recompôs com uma velocidade impressionante. A máscara voltou, os ombros se endireitaram, e aquele sorriso frio reapareceu como se nunca tivesse ido.

— Não seja ridícula. Ela nunca acreditaria em você.

— Bom, podemos arriscar, não é? — Virei o rosto na direção que Angélica tinha ido. — Senhora Ange...

— Cala a boca!

Ela disse isso baixo, mas com uma intensidade que me fez virar de volta para ela.

— Cala a boca agora. — Os olhos dela brilhavam de uma raiva que ela não conseguia conter. — Ou eu conto pro seu querido avozinho que te vi pedindo um exame de teste de parentesco em um hospital onde você tem contatos.

— E daí?

— E daí que é muito fácil falsificar um teste desses quando você tem os contatos certos. Não é, Zara?

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