Alícia e eu voltamos correndo para dentro do carro e Geórgia colocou o telefone no viva-voz no painel.
— Arthur está sendo movido. Vamos levá-lo para a fazenda e...
— Ele está bem? — Perguntei antes que o Thomas terminasse a frase.
A resposta demorou um segundo a mais do que eu gostaria.
— Vai estar melhor na fazenda. Mais seguro.
E eu entendi que aquilo não era apenas sobre a saúde dele.
— Achei que a fazenda também estivesse sob posse da Leonora — Geórgia disse, franzindo a testa. — Que o Arthur não pudesse...
— Tecnicamente não pode — Thomas explicou. — Mas a Leonora está precisando manter olhos em muitos lugares ao mesmo tempo agora. E a fazenda é um dos seus pontos cegos. Além disso, é um lugar adequado porque o Arthur mantém um quarto adaptado para cuidados médicos lá. Podemos... melhorá-lo para o caso dele.
Lembrei vagamente do ambiente adaptado que havia na fazenda. Arthur tinha me explicado, quando estivemos lá juntos, que tinha medo do Augusto passar mal lá, devido à idade avançada, e preferia contar com um espaço minimamente controlado por ele do que ter que se arriscar saindo por uma cidade de interior à procura de um posto de saúde aberto. Tinha me mostrado o quarto, os equipamentos básicos, a farmácia pequena que Dito e Dona Conceição mantinham organizada.
Mas não era nada muito avançado. Nada que eu, como estudante de medicina, conseguisse classificar como estrutura adequada para manter um paciente em coma induzido com a supervisão constante que o caso do Arthur exigia. O coração apertou com aquela constatação que a cabeça tentou afastar, mas não conseguiu completamente.
— Thomas. — Senti a voz sair mais fraca do que pretendia. — Tem certeza? Tem certeza de que é uma boa ideia?
A resposta demorou.
— Não. Mas é a única ideia que tenho. Tem alguma melhor?
Não tinha.
— Vou para a fazenda também. — Respondi, simplesmente.
— Achei que diria isso. Consegue chegar no hospital em quinze minutos? É o tempo que temos para sair daqui. O doutor Eduardo libera o acesso de você até...
Mas eu já não estava mais ouvindo. Estava pulando para o banco da frente, empurrando a Alícia para o de trás com uma urgência de quem não tinha tempo para ser gentil.
— O que você tá fazendo? — Ela protestou.
— Garantindo que a gente chega em quinze minutos. Desculpa, mas você dirige com muita cautela, e no momento não precisamos de cautela.
Mal esperei ela puxar o cinto e já estava acelerando.
— Eu nem sabia que você tinha carteira de motorista. — A Alícia reclamou do banco de trás, provavelmente fazendo contas mentais sobre o que acontecia com o carro dela se eu errasse uma curva.
— E quem disse que tenho?
— Ah, ótimo. Perfeito.
— Pai. — A Geórgia parou diante dele com aquela voz pequena que eu não tinha ouvido dela antes, a voz de uma menina de dezessete anos que passou por coisas demais em poucas horas e ainda estava de pé, o que era, objetivamente, extraordinário.
— Querida. — Ele segurou o ombro dela por um momento com aquele aperto que diz mais do que qualquer frase. — Sinto muito que tenha ficado sabendo de tudo de forma tão caótica.
— É, você nem imagina. — Ela murmurou, e eu vi no rosto dela o peso de coisas que ela ainda não tinha dito a ninguém — A gente precisa conversar.
— Não agora. Não temos tempo. — Ele olhou para a Alícia e depois para a Geórgia. — Agradeço vocês duas por tudo que fizeram. Mas só tem espaço para a Zara no helicóptero. Temos que ir agora.
Puxei a Geórgia para um abraço rápido e firme e murmurei obrigada contra o cabelo dela antes que o momento passasse e alguém começasse a nos apressar.
Então me afastei. Fiquei parada olhando para a Alícia.
Não havia palavras adequadas para o que tinha acontecido entre nós naqueles últimos dias. E nós duas sabíamos disso. Era o tipo de coisa que as palavras diminuiriam em vez de aumentar.
Fiz um pequeno gesto com a cabeça e ela respondeu com o mesmo gesto. Simples, distante, mas que significava muito vindo de nós duas.
Fui com o Eduardo.
Elevadores privados. Corredores vazios que eu não conhecia. Uma porta que abriu para o exterior, e o barulho do motor chegando antes que eu visse qualquer coisa.
Mas quando finalmente vi... Bem, uma mulher nunca está preparada para ver o amor da sua vida assim.

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