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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 151

~ THOMAS ~

O pulso da Genevieve estava fraco, mas presente.

Ajoelhado ao lado dela no chão do quarto, com dois dedos no seu pescoço, fiz o cálculo rápido que qualquer médico faz quando encontra alguém inconsciente — ritmo, profundidade, temperatura da pele. A respiração era superficial demais. E se eu estivesse certo sobre o que tinha naquela seringa agora largada no chão, o quadro ia piorar antes de melhorar. Se melhorasse.

Pressionei o botão de emergência na parede.

Enquanto esperava, a cabeça já estava em outro lugar. O palpite da Geórgia e da Alícia tinha sido confirmado. As câmeras de segurança do hospital tinham sido desligadas, o que provava que a Genevieve tinha um cúmplice lá dentro. Alguém com acesso suficiente ao sistema para fazer isso sem deixar rastro imediato. Ele só precisava descobrir quem, e torcer para que as câmeras que ele tinha conseguido religar a tempo tivessem captado algo pelos microfones — porque os quartos não tinham câmera, apenas os corredores. Se os microfones tivessem captado algo, eles poderiam ter uma prova relevante. Mas não tivesse...

Se não tivessem, então tudo o que eles tinham era uma mulher inconsciente. Uma seringa no chão... E a Alícia Lacerda como único profissional (ainda que estudante) presente na cena. Isso não era bom. Isso não era nada bom.

— O que temos aqui? — O médico de plantão chegou em menos de um minutos, dois residentes atrás.

— Pulso fraco e irregular. Respiração superficial, sem reação a estímulo. — Me levantei e recuei um passo para dar espaço. — Suspeita de intoxicação aguda com comprometimento cardíaco ou metabólico. Tragam o carrinho de emergência, oxigênio e monitor, agora. Seja o que for, está derrubando as funções vitais dela. Se não for revertido rápido, ela pode entrar em parada.

— Estamos nisso.

— Ótimo.

Sai e deixei Genevieve Bragança sob os cuidados de especialistas que eram mais adequados para aquele momento do que ele. Eu era médico, era meu dever e minha responsabilidade ajudar pessoas, e havia feito o que podia. Mas meu lado humano não se importava particularmente com o desfecho dela. Ela tinha entrado naquele hospital com uma seringa preparada para matar uma mulher grávida e quase matado outra no processo. Se as escolhas que a trouxeram até aquele chão tivessem consequências, seriam consequências que ela mesma tinha construído.

Eu tinha mais coisas com que se preocupar.

Voltei à minha sala, fechei a porta e comecei com as ligações.

A mais importante de todas durou cerca de cinco minutos.

- Doutor Eduardo... preciso que me escute com atenção e não demonstre reações bruscas.

Quando desliguei, fiquei olhando para o telefone por alguns segundos antes de me levantar e ir até o andar da recuperação cirúrgica.

— Transferência? — O doutor Cavalcanti quase arregou os olhos, se virando para o Eduardo com aquela expressão de quem não foi consultado e precisava ser. — O senhor não solicitou nada pelo protocolo e eu certamente não autorizei...

— Eu solicitei. — Eduardo o cortou. — Arthur está sendo transferido. Ative o protocolo.

— Doutor Eduardo. — O Cavalcanti escolheu as palavras com o cuidado de quem está contradizendo alguém que pode tecnicamente demiti-lo, mas que também é pai e precisa ouvir. — Com todo respeito ao senhor e à família, uma transferência agora representa risco real para o quadro dele. Estamos nas primeiras horas pós-operatório, o paciente está em coma induzido com suporte ventilatório, e qualquer movimentação, especialmente por via aérea, com as variações de pressão envolvidas, pode desencadear complicações que aqui dentro conseguiríamos manejar mas que em trânsito se tornam emergências sem estrutura adequada para resposta. É minha responsabilidade clínica informar o senhor de que estou contraindicando esse procedimento.

Eduardo ouviu tudo sem mudar a expressão.

— Eu sei muito bem de tudo isso, doutor. — Disse, por fim. — E também sei que meu filho não pode ficar nesse hospital nem mais um minuto. Comecem a transferência.

O Cavalcanti ficou parado por um segundo, avaliando. Depois assentiu e saiu para iniciar o protocolo.

Eduardo ficou. Virou-se para mim. E por um instante — só um instante, antes que a armadura voltasse ao lugar — pousou a mão sobre o meu ombro com o peso de quem está segurando muito mais do que aquele gesto conseguia expressar.

— Cuide de tudo. Cuide do meu filho.

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