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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 146

~ GENEVIEVE ~

Saí da mansão da Leonora com o coração acelerado de um jeito que não estava acostumada.

Não era o tipo de pessoa que perdia o controle dos próprios batimentos cardíacos. Tinha aprendido desde cedo que compostura era um ativo, que a pessoa que mantinha a calma enquanto todo mundo ao redor perdia a cabeça era invariavelmente a pessoa que saía na frente. Tinha aplicado esse princípio em cada situação da minha vida, cada relacionamento, cada plano que havia montado e executado com aquela paciência de quem não tem pressa porque sabe que vai chegar lá.

Mas eu já tinha feito muitas coisas na vida e assassinato não era uma que pudesse colocar na conta até agora.

Tudo bem. Era preciso. E o que era preciso, era preciso — essa também era uma lição que aprendi cedo, que às vezes o caminho entre você e o que você quer passa por lugares desconfortáveis, e que a diferença entre quem chega e quem não chega é a disposição de atravessar esses lugares sem parar para reclamar.

Ninguém tinha mandado a Zara surgir do nada. Entrar na vida do Augusto como se fosse digna de todo aquele império, se instalar na mansão, se casar com o Arthur, herdar uma fortuna que não era dela por nenhum mérito real além de ter o DNA certo. Eu tinha tentado. Tinha tentado impedir aquele casamento de todas as formas possíveis — me aproximei das duas partes, fiz a amiguinha perfeita, armei situações com precisão cirúrgica, posicionei informações como se fossem preocupações genuínas quando na verdade cada palavra tinha sido calculada para servir a um objetivo que nunca tinha abandonado.

Tinha armado o encontro do envelope no cofre. Tinha convencido a Zara a guardar segredos. Tinha revelado a gravidez para o Arthur com a narrativa certa, no momento certo. Tinha passado informação para a Leonora. Tinha feito tudo.

E nada tinha dado certo de forma definitiva.

Mas existe uma coisa que é definitiva. E essa coisa é a morte.

Cheguei ao hospital cerca de uma hora depois.

— Vim visitar o Arthur Sartori. — Menti na recepção com aquela naturalidade de quem não espera ser questionada, afinal precisava de uma desculpa para estar ali. Nem me dei ao trabalho de dizer o próprio nome porque todos me conheciam em todos os lugares que importavam.

— Desculpa, senhorita Genevieve, mas o doutor Sartori ainda não está podendo receber visitas e...

— Eu sei, eu sei. Mas tenho uma autorização especial da Leonora Altieri. — Expliquei, tentando controlar a irritação. — Posso falar com o doutor Guilardi?

— Claro.

Cinco minutos depois eu estava sentada diante dele à mesa, numa sala que cheirava a café e papel impresso.

— As câmeras de segurança vão falhar por exatos trinta minutos. — Ele disse, sem me olhar, os olhos em algum ponto neutro da mesa. — É tudo o que você tem. Precisa estar de volta nessa sala antes que o tempo acabe.

— É mais do que preciso.

— Eu não sei e não quero saber o que vai acontecer dentro daquele quarto. Estamos entendidos?

— Perfeitamente.

— Ótimo. — Abriu a gaveta e tirou uma chave pequena. — Tudo o que você precisa está no vestiário das enfermeiras. Armário número quatro.

Peguei a chave.

Segui em direção ao quarto, usando o cartão de acesso para passar pelas portas das alas internas sem ser interceptada, o jaleco fazendo o trabalho que era para fazer e tornando-me invisível dentro da própria visibilidade.

Segundo andar. Corredor da obstetrícia. Quarto 214.

Parei diante da porta.

Respirei.

Abri.

A Zara estava ali. Deitada, com o soro no braço, os olhos fechados naquele sono pesado que só sedativos produzem — sem sonho aparente, com aquela tranquilidade de quem não sabe que o mundo continuou acontecendo enquanto dormia.

Fiquei parada na entrada por alguns segundos, olhando para ela.

Havia algo em mim que se aproximava de pena. Não o suficiente para mudar qualquer coisa, mas o suficiente para ser reconhecível. A Zara não era uma má pessoa. Tinha sido honesta, na maior parte do tempo. Tinha amado o Augusto de verdade — eu sabia porque estive perto o suficiente para ver. E provavelmente amava o Arthur de verdade também.

O que era exatamente o problema.

— Bom. — Disse, em voz baixa, avançando para dentro do quarto. — Vamos acabar logo com isso.

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