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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 136

— Belo gesto de boas-vindas.

— Isso não é brincadeira! — A irritação saiu antes que eu pudesse segurar. — Você não devia estar aqui. Foi a Alícia? Ela foi até você? Eu disse pra aquela idiota... espera. — Parei. — Ela está bem?

— Alícia está bem. E sim, ela foi até mim. Mas o Marreta chegou antes.

— O Marreta?

— Ele disse que você precisava de um médico. Que nosso... nosso filho...

— Ah, isso. — Interrompi antes que ele desenvolvesse, porque não queria entrar naquilo agora. Não queria perguntas, não queria dar explicações, não queria ter essa conversa em um quarto decrepito enquanto estava sangrando e com dor. — É só um sangramento comum. Vou ficar bem.

Ao menos era o que eu esperava. Queria minimizar a coisa toda, mas a verdade era que a dor que estava sentindo me assustava mais do que eu estava deixando aparecer. Tinha vindo em ondas nas últimas horas, e as ondas estavam ficando mais intensas.

— Isso quem vai dizer sou eu.

Arthur finalmente se levantou, me ajudou a me colocar de pé com aquele cuidado de médico que sabe exatamente onde segurar para não machucar mais e, ao mesmo tempo, com aquele outro cuidado que não vem de nenhum manual de medicina, que é só de marido, de homem que não quer soltar. Me guiou de volta para a cama. Deitei e ele abriu a maleta.

O exame foi silencioso e sistemático. Pressão primeiro — o esfigmomanômetro que ele tinha trazido, a braçadeira fria no meu braço, o silêncio dele enquanto lia o resultado com aquela concentração que eu já conhecia de quando ele estava avaliando algo que não gostava, mas ainda não ia dizer em voz alta. Depois a mão no abdômen, palpando com aquela leveza de quem está tentando avaliar sem provocar mais dor do que já existe. A lanterna clínica nos olhos. A mão no pulso contando a frequência cardíaca.

Eu percebia a preocupação nos gestos dele. Não tanto na expressão, Arthur controlava a expressão muito bem, sempre tinha controlado, era uma das primeiras coisas que eu tinha aprendido sobre ele. Mas havia uma velocidade nas mãos que demonstrava uma urgência real. O tipo de urgência que aparece quando você está olhando para algo que te preocupa de verdade e está tentando não deixar que a pessoa perceba.

— Arthur, você não é obstetra. E nem tem equipamentos adequados aqui. Não vai conseguir fazer muito.

— É. Mas eu não ia dizer isso ao Marreta e correr o risco de ele não me trazer até você.

Ele foi até o canto do quarto, pegou o copo de água que estava ali abandonado, e voltou com a caixa de progesterona da maleta. Me entregou o comprimido e o copo. Fiz o que ele pedia porque era mais fácil do que discutir.

— O sangramento está controlável por enquanto. O remédio vai ganhar tempo. — Falou, enquanto eu bebia. — Mas preciso te tirar daqui e te levar para o hospital assim que o dia nascer. Por enquanto, você precisa descansar um pouco.

O que eu achava que sabia.

Ele queria controlar a narrativa. Queria me fazer questionar o que eu tinha visto com os próprios olhos. Ainda assim, respirei fundo, tentando buscar a calma em algum lugar. Porque eu sabia o que estava acontecendo no meu corpo — sabia que estresse liberava cortisol e adrenalina, que podia aumentar contrações uterinas e piorar um sangramento que já estava acontecendo. Eu tinha lido sobre isso. E não era estúpida o suficiente para me deixar explodir completamente quando havia uma criança que dependia de eu me manter razoavelmente estável.

— O que eu sei — tentei imitar o tom calmo dele — é que você e a Genevieve estão tendo um caso. Ela fez de tudo para estragar o nosso casamento, mesmo que sempre tenha sido só um contrato frio para você. O que eu entendo. Vocês se amam. Queriam ficar juntos. Eu entro no meio como um inconveniente.

Arthur soltou uma gargalhada.

Uma gargalhada de verdade. Aberta, genuína, completamente fora de lugar naquele quarto.

Fechei a cara imediatamente.

— Zara. — Ele parou de rir antes que eu dissesse alguma coisa. — Eu amo a Genevieve? Eu amo a Genevieve? — Repetiu, como se estivesse testando o absurdo da frase. — Eu acabei de entrar vendado num carro com três homens armados, confiando minha vida completamente nas mãos de alguém chamado Marreta, só para chegar até você. Pouco antes disso, o Thomas teve que me dopar com remédio para dormir porque eu queria dar um jeito de chegar aqui sozinho, com uma Glock 19 nas mãos. — Fez uma pausa, me olhando. — Se isso não é suficiente para você perceber que eu amo você, me desculpa, mas eu não sei mais o que é.

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