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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 114

~ ARTHUR ~

Dizer aquilo em voz alta tornou tudo muito mais real.

Porque antes, o que se passava pela minha cabeça era que, onde quer que a Zara estivesse, ela simplesmente não queria falar comigo, não queria voltar para casa ou para o hospital. Mas voltaria para as aulas. Porque a Zara era extremamente dedicada aos estudos, e também porque a faculdade era um lugar onde ela não esperaria me encontrar, então não teria problema em aparecer.

Mas ela não estava em lugar nenhum. E se a Alícia também estava sumida mais ou menos desde o mesmo horário, aquilo não podia ser coincidência.

— Juntas? — Angélica me encarou com uma mistura de incredulidade e começo de pânico. — Mas Arthur, por mais que eu diga para aquela menina que ela precisa andar com boas companhias, ela e a Zara não são exatamente amigas, são?

Não eram. O que tornava tudo bem mais estranho.

— Você disse que ela não dá notícias desde o horário do almoço de ontem?

— Sim. Ela me disse que ia almoçar em um restaurante próximo ao Sartori & Altieri antes de ir para lá. — Ela acrescentou, com aquela teimosia de quem não consegue largar uma teoria mesmo quando ela está desmontando: — Imaginei que estaria com esse moleque.

— Já disse que não tenho nada a ver com isso! — Gustavo levantou as duas mãos, exasperado. — Tentei mandar mensagem, ela não me responde também.

— Devemos... devemos ir à polícia? — Angélica perguntou, a voz mais fina do que antes.

Devíamos? A Zara tinha seus problemas em envolver polícia na sua vida — eu sabia disso, sabia de onde vinha aquela relação complicada com autoridade. Mas agora ela estava desaparecida. E talvez não fosse por vontade própria.

— Não — disse, com mais firmeza do que eu me sentia. — Mas sei por onde devemos começar.

O restaurante ainda estava fechado quando chegamos, mas consegui que nos deixassem entrar novamente. A equipe de limpeza e a cozinha já estavam lá, e fui direto ao ponto.

— Preciso saber se uma outra moça esteve aqui ontem para o almoço. Alícia Lacerda.

O funcionário verificou no sistema e balançou a cabeça.

— Não consta nenhuma conta no nome dela, doutor.

— Mas se outra pessoa pagou, vocês não teriam esse registro — Angélica interveio, com aquela lógica afiada de mãe que estava tentando encontrar qualquer brecha.

— Não, senhora. Mas podemos verificar caso a senhora tenha o nome de quem almoçou com ela.

— Podemos esperar o maître — sugeri. — Ele certamente conhece a Alícia e se lembraria dela.

— Ele ainda vai demorar algumas horas, doutor Arthur.

— Tudo bem. Esperamos.

Angélica ficou inquieta durante toda a espera, alternando entre ficar parada e se levantar para andar em círculos pequenos com se precisasse que o corpo fizesse alguma coisa enquanto a cabeça não consegue parar. Eu entendia, mas não conseguia acompanhar. Fiquei sentado, processando.

— Deveríamos estar falando com a polícia agora — Angélica disse, em algum ponto.

— Precisamos ter cuidado com os próximos passos.

— Vamos saber se pudermos ver as câmeras.

Ele chamou o gerente, conversou brevemente, e minutos depois estávamos numa salinha pequena nos fundos do restaurante, com uma tela mostrando as gravações do dia anterior. Fui direto para o horário aproximado que Roberto tinha me dito que a Zara tinha estado lá.

E lá estava ela nas imagens.

Saindo apressada pela entrada principal, com aquela caminhada rápida de quem não está pensando onde está indo, só está indo — eu reconhecia aquilo, era o jeito dela quando estava processando alguma coisa que doía demais para ficar parada. Esbarrou em alguém na porta. Alícia, que segurava um copo de café que acabou se espalhando nas duas. Pararam. Claramente discutiram por alguns segundos, os gestos curtos e tensos. E então, de alguma forma que eu não conseguia entender completamente, saíram andando juntas pela calçada, virando numa rua que saía do alcance da câmera.

Fiquei olhando para a tela por um segundo depois que a imagem parou de ter as duas.

— A câmera do posto de gasolina na esquina pode a ter visão daquela rua — o gerente disse, em tom de quem está tentando ajudar sem se comprometer demais.

Agradeci e saímos.

No posto de gasolina, pedi educadamente para acessar as gravações. Recebi um olhar desconfiado e uma negativa cortês. Então coloquei o valor certo na mesa e consegui acesso em menos de dois minutos.

Angélica ficou parada atrás de mim enquanto eu avançava o vídeo até o horário certo.

E lá estavam as duas. Zara e Alícia, ainda claramente em atrito entre elas. Até que dois homens apareceram, um de cada extremidade. As duas pararam. Houve um momento breve — muito breve — antes que os homens agissem.

Angélica levou as mãos à boca e soltou um guincho agudo.

— Elas foram sequestradas. Precisamos ir à polícia agora!

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