A Propriedade Hillside.
Maggie estava sentada na banheira de mármore rebaixada, enquanto um belo rapaz na casa dos vinte lhe servia uma taça de vinho tinto e massageava seus ombros com delicadeza.
“Maggie...” chamou o jovem massagista, com um sorriso encantador. Ombros largos, cintura fina, pernas longas — ele parecia mais um universitário do que um profissional. “Quer que eu ajude você a relaxar um pouco mais?”
Os cantos dos lábios de Maggie se ergueram enquanto ela levantava a mão e inclinava o queixo dele em sua direção. “Tem se comportado ultimamente?”
O rapaz soltou uma risada baixa. “É recesso da faculdade. Posso ficar aqui com você o quanto quiser.”
Maggie tomou um gole de vinho, passou um braço em volta do pescoço dele e se inclinou para beijá-lo.
No instante antes de seus lábios se tocarem, o celular dela tocou.
Ela o afastou e nadou até a borda da banheira, pegando o telefone.
“Alô?”
Virando as costas para o rapaz, ela atendeu.
“Srta. Maggie, Susan entrou para o Grupo Barton e foi colocada em uma das divisões centrais. Pelo que vimos, Justin realmente confia nela e a trata muito bem.” A pessoa do outro lado vinha observando Susan e Justin de perto.
Um sorriso mais profundo surgiu no rosto de Maggie.
Atrás dela, o jovem tirou discretamente o celular, enviou uma mensagem e logo apagou a conversa antes de deixar o aparelho de lado.
“E quanto a Denton e Maya?”, perguntou Maggie.
O rapaz se aproximou, colocou um cigarro entre os lábios dela e o acendeu.
Ela tragou fundo, estreitou os olhos e soltou lentamente uma nuvem de fumaça.
“Srta. Maggie, a Srta. Maya e o Sr. Denton já começaram a escolher os trajes do casamento. A data ainda não foi definida, mas o Sr. Halpert quer que a cerimônia seja organizada o quanto antes, então o ideal seria no próximo mês.”
Maggie soltou uma risada fria. “Como eu esperava. Família de sangue sempre recebe mais atenção.”
Ela entendia os Gill melhor do que ninguém. Não importava o quão bem a tratassem na superfície, ela continuava sendo apenas a filha adotiva que haviam trazido para servir de escudo e peão. Para Halpert, ela não passava de uma lâmina forjada para seu uso.
Infelizmente para ele, essa lâmina havia se tornado afiada demais, e Maggie não tinha a menor intenção de continuar sendo apenas uma arma.
“Srta. Maggie, a senhora vai precisar adiantar seus planos. O Sr. Halpert está pressionando pelo casamento de Maya e Denton porque está se preparando para passar a autoridade adiante.”
Halpert era uma velha raposa que preferia puxar os fios das sombras. Maggie era a lâmina que ele havia criado, mas ela não era da família. Não havia laço de sangue entre eles.
E Halpert não era tolo. Nos últimos anos, ele começara a temê-la. Sua pressa em arranjar o casamento de Maya não era apenas por aparência. Pelo contrário, mostrava o quanto ele valorizava Denton.
“Quando ele tiver um genro, eles serão uma família de verdade”, disse Maggie com desdém. “Não vai mais precisar de mim.” Ela deu outra tragada no cigarro e, casualmente, pressionou a ponta acesa na palma da mão do rapaz. O corpo dele enrijeceu na mesma hora. A dor brilhou em seu rosto, mas ele a suportou sem emitir som algum.

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