Adriana ficou atônita por um instante e, então, soltou o ar devagar.
Ótimo. Isso significava que ainda havia outros Harrison que poderiam ser suspeitos.
O destino não podia ser tão cruel com Curtis. Marcar uma criança com a acusação de ter matado a própria mãe, dar a ele um pai terrível e, se até o avô acabasse sendo o assassino...
Até que ponto isso o quebraria por dentro?
"Além de Silas, existem outros filhos fora do casamento entre os Harrison?" Adriana perguntou com cautela.
Aquela família realmente soava caótica.
"Não fora do casamento", respondeu Curtis. Ele pareceu um pouco sem jeito, como se não quisesse falar sobre aquilo.
Adriana piscou. Curtis raramente falava com ela sobre os Harrison.
Tudo o que ela sabia era que a mãe de Curtis morrera por causa de um transtorno mental — uma mulher cuja mente despedaçada obrigara o próprio filho ainda pequeno a pôr fim à sua vida.
"Eu costumava acreditar que transtornos mentais não eram hereditários, mas os Harrison... muitos deles não são exatamente estáveis", disse Curtis, exausto. Seus olhos pousaram em Adriana com cautela. "Naquela época, o pessoal do Lincoln Group vivia me atacando, me chamando de doido e dizendo que eu era um psicopata. Você se lembra disso, não lembra?"
Adriana assentiu.
Por ter sido rotulado como o assassino da mãe tão cedo, os boatos foram pouco a pouco distorcendo sua imagem, até transformá-lo, aos olhos das pessoas, num lunático.
Harold lutara com todas as forças para protegê-lo e depois mandara Curtis para longe, para a Propriedade Lincoln em Govendale. Foi lá que Curtis e Adriana se conheceram.

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