Elise desabou em lágrimas. "Matthew, você está mesmo tentando me levar ao limite?"
A voz de Matthew permaneceu calma. "Ela é sua esposa. Se vai se divorciar ou continuar com ela, isso é problema seu. O quê, achou que eu ainda era o mesmo Matthew que você controlava?" Ele se aproximou de Raymond com um sorriso lento e cortante. "Pai, os tempos mudaram. O Grupo Langford? Agora é meu."
O corpo inteiro de Raymond começou a tremer de raiva.
O telefone tocou. Ele o agarrou e levou ao ouvido. Do outro lado, Rex gritava, ofegante e em pânico. "Pai! O Matthew já trocou todos os executivos do Grupo Langford pelos homens dele. Ele planejou isso por anos! O RH acabou de ligar dizendo que fui demitido. O que a gente faz?"
Raymond olhou para Matthew, completamente incrédulo. Finalmente entendeu o que estava acontecendo. Matthew estava eliminando todos os seus filhos ilegítimos.
"Você está cortando seus irmãos? Tirou eles da empresa, e agora o quê? Vai destruir todos também?" Sua voz falhou, tomada pela fúria.
A respiração ficou irregular, e Elise correu para ampará-lo.
Matthew soltou um riso baixo. Olhou diretamente para Raymond e esboçou um sorriso irônico. "Minha mãe deu à luz a Mia e a mim. Só tenho uma irmã. Os outros não são meus irmãos."
A voz de Elise tremia enquanto ela tentava argumentar. "Matthew, o que exatamente você fez? Mesmo que Rex e os outros não sejam meus filhos..." O olhar dela buscou o Sr. Langford. Endireitou os ombros e forçou a voz a soar firme. "Eles ainda são seus meio-irmãos. Vocês são família. Deveriam se apoiar."
Matthew quase riu. Aquela lealdade cega dela era mesmo algo. Anos atrás, ele também achava engraçado, mas não era forte o bastante. Precisava fingir. Agora? Não suportava mais nem um segundo.
"Mãe, continue fingindo que vocês têm um casamento perfeito. Eu cansei de brincar de casinha. Deixe a Mia aqui, fazendo o papel da filha exemplar." Ele se aproximou de Raymond, calmo e seguro. "Pai, você já está ficando velho. É hora de sair do conselho e passar o bastão. Cuidado, ou vai acabar morrendo de exaustão."
Os joelhos de Raymond quase cederam. Naquele instante, ele percebeu. O filho obediente e de fala mansa, que sempre parecia adorar a mãe, o enganou por completo.
A única razão para ter entregue as ações e o controle era porque achava que conhecia os pontos fracos de Matthew. Achava que ele era fácil de manipular.
Lembrou do garoto aos oito anos, chorando e implorando para que ele voltasse para o aniversário de Elise. Chegou a se ajoelhar. Tudo porque Elise chorou um pouco.
Será que Matthew já tramava desde aquela época?
Todos aqueles anos fingindo ser o filho perfeito não passavam de uma armadilha. Matthew vendeu a ilusão de que era fraco. Que cederia ao menor sinal de ameaça à mãe ou à irmã.
Por anos, Raymond acreditou que ameaçar Elise era suficiente para fazer Matthew pular de um penhasco.
Ainda se lembrava de quando Matthew tinha dezoito anos. Alguns homens sequestraram Elise e exigiram que ele pulasse da sacada da mansão. Ele não hesitou. Graças a Deus havia uma piscina embaixo e a casa não era alta.
"Querido..." A voz de Elise vacilou ao olhar para ele. "Não se desespere. Vou conversar com Matthew. Ele ainda se importa comigo e com a Mia. Vamos pedir para ele. Sei que vai devolver as ações."
"Cale a boca!" Raymond explodiu. "Foi você quem criou esse monstrinho!"
Os olhos de Elise se encheram de lágrimas. Ela recuou e não disse mais nada.
"Esse garoto..." As mãos de Raymond se fecharam em punhos. "Não consigo mais controlá-lo. Ele é perigoso. Vem planejando isso desde pequeno."
Ele estava prestes a amaldiçoar Matthew de novo quando o telefone tocou. O visor mostrava um número desconhecido.
As costas ficaram rígidas. Os dedos começaram a tremer. Ele encarou o aparelho, com medo de atender.
Como diabos ia explicar aquilo? Tinha sido enganado. Tinha sido manipulado pelo próprio filho.
Aquele negócio com Curtis? Matthew ficou com o dinheiro para si. Pela primeira vez, Raymond sentiu medo do próprio filho. Jamais imaginou uma ambição tão implacável.

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