Se a polícia não tivesse precisado da ajuda dela, Isabela realmente não gostaria de ouvir aquele nome novamente.
Durante seu turno, ela e Maison rapidamente estabeleceram um cronograma adequado.
Marco Paulo havia sido preso pela polícia há cerca de duas semanas, acusado de subornar um assistente forense para substituir o corpo de Catarina. Todas as testemunhas estavam presentes, e ele deixara claro que não confessaria nada enquanto não encontrasse Isabela.
Isabela foi levada ao tribunal do magistrado sem qualquer outra opção. Para manter a paz e a ordem na cidade, ela não teve escolha a não ser aceitar.
Maison, no entanto, não moveu um dedo para apoiá-la. Permaneceu encostado à cabeceira da cama, sobrancelhas arqueadas, com um olhar tão intenso que parecia capaz de aniquilar Marco Paulo no instante seguinte.
— Que ele apodreça na delegacia.
— Por que você não me espera lá fora? — disse Isabela, após uma breve pausa.
Maison estava sendo pessimista demais. Ao lado dela, ele já havia pegado o celular e respondia ao subordinado:
— Diga a Marco Paulo que, se quiser ver minha esposa, terá que me aceitar junto. Caso contrário, não há nada a conversar.
Isabela considerou. Era uma solução possível. Mas toda aquela questão envolvendo Marco Paulo havia destruído completamente a relação ambígua e delicada que os dois haviam construído com tanto cuidado.
O ponteiro dos minutos completou uma volta.
Isabela rolava a tela do celular, aguardando uma resposta do subordinado de Maison. As temperaturas de inverno eram baixas e, mesmo com o sistema de temperatura constante dentro de casa, seus pés ainda estavam frios — possivelmente um efeito persistente da hemorragia maciça que sofrera anos atrás.
Então, discretamente, ela esticou a perna e pressionou o pé contra a coxa dele.
Ela esperava que Maison fosse agarrá-la, mas, para sua surpresa, ele segurou seu pé com a mão, e o calor do corpo dele penetrou em sua pele e se espalhou lentamente a partir dali.
— Por que está tão frio? — ele perguntou.
Isabela o encarou com uma expressão de pura injustiça. A audácia de perguntar.
— Um pouco frio — ela murmurou.
Maison jogou as cobertas para o lado, levantou-se descalço, caminhou até a porta do quarto e aumentou a temperatura do aquecimento de piso em dois graus.
— Se não for suficiente, me diga.
Ao ver o quanto ele se dedicava, todo o ressentimento no coração de Isabela se dissipou.
Ela esperou, esperou, e finalmente, por volta da meia-noite, recebeu um retorno.
— Sr. Maison, a delegacia informou que o suspeito concordou.
Isabela observou em silêncio o perfil de Maison enquanto ele respondia:
— Minha esposa precisa trabalhar. O único horário disponível é amanhã de manhã, às nove horas. Depois disso, não haverá mais disponibilidade.
— Certo, Sr. Maison.
Após desligar, Isabela não conteve um sorriso:
— Você realmente não se conteve. Marco Paulo deve estar tão furioso que não vai conseguir pregar o olho esta noite.
Maison ergueu uma sobrancelha:
— Está com pena dele?
Isabela abriu os olhos bem:
— Isso é uma calúnia! Quem se importa?!
Maison sorriu e beijou o topo da cabeça dela.
— Marco Paulo deveria estar feliz por não ter te envenenado. Caso contrário, não teria tanta sorte agora.
Mesmo com ele prestes a ser condenado à prisão, Maison ainda considerava aquilo uma sorte. Isabela ficou sem palavras.
— Maison, você deveria moderar um pouco seus métodos de retaliação.
— Não vou me conter? — ele franziu a testa.
É isso que ele chama de autocontrole?!
— Na verdade — disse ela —, eu nunca me importei muito com o destino de Catarina. Você não precisava tê-la tratado daquela forma. E desta vez, não precisou arriscar sua vida indo a Portilo. Tudo o que precisávamos era de um antídoto, não de destruir Marco Paulo.
Era verdade. Depois de mais de uma década no mundo dos negócios, a maior força de Maison era exatamente essa: eliminar completamente os rivais, sem lhes dar qualquer chance de recuperação. Mas manter esse encrenqueiro por perto só levaria a um resultado — Isabela continuaria se machucando.
Houve um silêncio.
— Você vai fazer a mesma coisa da próxima vez, não vai? — ela disse, entendendo a implicação.
Maison apenas sorriu.
— Minha esposa realmente me conhece bem.
Na hora de dormir, ela se virou deliberadamente para o lado oposto, deixando-lhe um olhar frio e distante.
Dormir de costas para o parceiro era, para um casal recém-casado, o primeiro sinal de separação — e poderia muito bem terminar em divórcio. Como Maison poderia aceitar nem a mínima chance disso? Ele se inclinou e apoiou a cabeça sobre ela.
Isabela não queria falar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Herdeiro Oculto: O Arrependimento do Bilionário
Poderia desbloquear esse capítulo...
Difícil, muda os nomes entra cenas sem pé nem cabeça, primeira vez que vejo erros tão grosseiros. E pagar moedas pra isso, é terrível. Fica mais caro que um livro comum, ainda nesses que todos os capítulos são bloqueados. Uma pena, o Site, tá ficando muito ruim,não ta mais barato que os outros ss o serviço é ruim, fica até pior....
Espero que amanhã o capítulo 122 esteja desbloqueado...
Por favor libera os capítulos, 106 bloqueado sacanagem...
Difícil ler esse livro, estou no 106, e está bloqueado, nem dá prazer em compartilhar para outra pessoa,pq não deixa o livro desbloqueado? Garanto que vcs vão lucrar mais , pois as pessoas ficam desesperada para ler...