Naquela época, quando Tess saiu da prisão, foi aquela mesma sensação de estranheza.
— Eu sou diferente dela.
Max ainda não havia se recuperado, mas a voz de Nadine ecoou em seus ouvidos.
— Ah, é?
Ele puxou seus pensamentos de volta, olhando para Nadine com interesse.
Nadine ergueu levemente o queixo, como se enxergasse através do que Max acabara de pensar.
— Claro que você é diferente. Não dá para comparar com ela.
Max soltou um riso baixo e irônico.
A expressão de Nadine não mudou, mas seus dedos apertaram com mais força a xícara de café.
O olhar dele pousou, provocativo, sobre a mão dela. — Não vai esmagar a xícara.
Nadine piscou, como se despertasse de um sonho, e imediatamente afrouxou o aperto.
— Hahaha.
Max jogou a cabeça para trás numa risada clara e despreocupada, mas em seus olhos havia o brilho familiar do desprezo de Nadine.
— Nadine, achei que talvez você tivesse amadurecido um pouco.
Seus olhos eram provocativos, meio sorrindo.
Nadine forçou a calma. — Não vou mais me comparar com ela.
Enquanto falava, seu peito subia e descia, e a expressão decidida em seu rosto parecia um voto silencioso.
Max arqueou uma sobrancelha, sem dar muita importância. — Espero que sim.
— Diga, o que você quer de mim hoje?
Ele lançou um olhar de soslaio e observou enquanto ela se recompunha, colocando sobre a mesa um pequeno frasco vazio, menor que um dedo mindinho.
Max franziu a testa. — O que é isso?
— Para mostrar sinceridade, vou te contar um segredo.
Nadine ergueu o olhar, fixando os olhos nos de Max.
Max franziu ainda mais a testa, levando-a a sério.
Então, Nadine começou a explicar:
— Isso foi algo que a empregada quebrou no apartamento há algum tempo. Era usado pela Shannon.
— Percebi que o humor e o comportamento da Shannon estavam estranhos ultimamente, então investiguei isso.
Ela apertou os lábios de propósito, fazendo uma breve pausa.
— Não brinque comigo. O que você descobriu?
Max tamborilou na mesa, incentivando-a a continuar.
— Contém um tipo de droga psicoativa, capaz de causar alucinações e agitação. Ela quase não interage com ninguém no apartamento, mas o fato de ter preparado isso significa que já tinha um alvo em mente.
Max relaxou um pouco, recostando-se com preguiça, como de costume.
— O amor pode se desgastar com o tempo e a decepção.
Nadine semicerrrou os olhos, pensativa.
— Consigo sentir o quanto Henry negligencia Shannon agora. Ela deve perceber isso melhor do que eu.
— Mas isso ainda não justifica ela mirar no Henry, não é?
Max perguntou, com o olhar incisivo.
— Se fosse você, por que dividiria sua fortuna com alguém que não se importa com você? E ainda depender de seus humores?
Nadine rebateu, os olhos brilhando.
Max franziu a testa, refletindo. De certo modo, fazia sentido.
— Então, por que está me contando isso? Você sabe que trabalho com você e o Henry, e não me interesso pelos assuntos particulares deles.
Ele ergueu o queixo, expressão fria.
— Justamente por isso importa!
Nadine se aproximou. — Henry e Shannon brigando cria uma oportunidade para nós, não é? E ver dois apaixonados de infância se voltando um contra o outro já é um espetáculo por si só.
O olhar de Max prendeu-se ao dela, o ar entre eles quase faiscando.
Depois de um longo momento, Max soltou uma risada leve, rompendo o silêncio.

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