Alguns pequenos ruídos na noite chamaram a atenção de Tess. Ela ergueu os olhos e encontrou aqueles olhos escuros, cheios de esperança.
Ela pressionou os lábios e não disse nada.
Lyra entendeu na mesma hora. Deu um passo à frente e levou a criança para fora.
“Temos certeza de que é hoje à noite?”, Tess perguntou, séria.
Ela não queria que a esperança da criança fosse destruída novamente.
“Provavelmente. E também o melhor momento.” Steven franziu a testa.
Ele percebeu que Duncan era o típico garoto rico que vive às custas da família — preguiçoso e um pouco ingênuo em relação ao mundo. Jackson, por outro lado, era diferente. Já tinha visto muita coisa. E o fato de mudar de lado tão rapidamente mostrava que, para ele, o que realmente importava era o lucro.
Enfrentar alguém como Jackson era perigoso. Steven não queria correr riscos. Aquela noite era, ao mesmo tempo, a forma mais rápida e mais segura de agir.
“Está bem.” Tess concordou.
“Se já pensou em tudo, entre em contato com Lyra e Raven se precisar de qualquer coisa. Vou garantir que te ajudem a se preparar. Também vou deixar pessoas esperando na saída para tirarem você de lá.”
“Certo. Avise o horário em que pretende agir”, Raven acrescentou.
“Está bem. Vejo vocês hoje à noite.”
A chamada terminou.
Beep ...
Naquela noite, uma figura entrou sorrateiramente no laboratório de Steven.
Uma sombra escura se moveu pela parede branca, avançando de forma silenciosa e ameaçadora.
Ela avançou cada vez mais, até ser engolida pela escuridão.
As luzes do laboratório piscaram por um bom tempo.
...
Enquanto isso...
Raven e Lyra aguardavam na saída da fábrica que Steven havia indicado.
“Foi rápido demais. Será que podemos confiar?”, Raven sussurrou.
Ela se aproximou de um canto, afastou alguns arbustos e espiou lá dentro.
A oficina estava escura. Apenas as estrelas e, de vez em quando, a luz refletida sobre o lago iluminavam o lugar.
Depois de esperar bastante sem ver nenhuma figura conhecida, Raven deu de ombros e olhou para trás.
“O horário é muito mais cedo do que esperávamos”, disse Lyra, franzindo a testa com preocupação. “Mas se Steven disse isso, então ele deve ter um plano. Vamos esperar.”
Raven concordou e se encostou no carro para passar o tempo.
Dentro da fábrica, Steven arrastava Duncan em direção à fileira de casas térreas onde Nicholas morava.
Quando avistou a pequena casa, Steven estreitou os olhos.
Ele tentou bater à porta com força, mas Steven a segurou com uma mão.
Ele empurrou a porta e entrou rapidamente, fechando-a atrás de si.
Rachel correu por causa do barulho. No segundo em que viu Nicholas preso no sofá por um homem magro, seu primeiro impulso foi gritar.
“Se gritar, eu estrangulo ele!”, disse Steven com frieza.
A ameaça fez Rachel se calar imediatamente. Ela tremia, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
Ela balançou a cabeça e sussurrou: “Não. Eu não vou gritar. Eu... Não vou...”
As lágrimas caíam sem parar. Nicholas sentiu uma pressão latejar em sua cabeça.
“Ela é inútil!”, Nicholas sibilou. “Se quer alguma coisa, diga logo. Fale o que quer.”
O rosto de Nicholas estava vermelho de raiva, mas ele ainda encarava o homem, tentando reagir.
“Estou aqui para ajudar vocês”, disse Steven.
Nicholas e Rachel ficaram imóveis. Logo depois, seus rostos se encheram de desconfiança. “Nos ajudar? Você quase me estrangulou! Como isso é ajudar?”
No instante seguinte, o sorriso debochado dele congelou. Steven abriu o celular. Na tela aparecia o rosto de um garoto, com lágrimas escorrendo.
“Ken!”, Nicholas gritou, horrorizado, como se fosse explodir.
“O que você quer? Por que está fazendo isso? O que fizemos? Por que está indo atrás do meu filho?”

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