Portanto, não importava a dor da injeção, ela não ousava chorar.
No fim, esses quatro anos foram apenas uma mentira.
O filho dela...
Era apenas uma ferramenta para Arthur agradar Sofia!
O que ela era?
Uma empregada de graça?
Uma máquina de parir?
...
Júlia desceu as escadas atordoada.
Agora ela só tinha um pensamento na cabeça.
Ir embora rápido com a criança!
Mas as coisas não saíram como ela queria. Antes de passar pelo portão do Hospital Vila Real, ela foi capturada e levada de volta pelos guarda-costas de Arthur.
Uma agulha fria perfurou sua pele.
Em apenas alguns segundos, ela perdeu as forças e só pôde encarar as luzes passando rápido no teto.
Ao ver as palavras "Centro Cirúrgico", ela agarrou instintivamente as roupas da pessoa ao seu lado.
Era Arthur.
Ele olhou para ela de cima a baixo: — Já que você descobriu, pague sua dívida direito.
— Não! Essa também é sua criança! O bebê e eu vamos ser obedientes! Por favor...
Júlia tremia e implorava a cada palavra.
O terno liso foi puxado até perder a forma, marcando profundamente suas palmas.
Mas Arthur não deu atenção.
Ele soltou os dedos dela um por um, observando sem expressão enquanto ela era empurrada para a sala de cirurgia.
...
As luzes da cirurgia se acenderam.
Júlia não sentia dor, mas podia sentir o médico cortando sua barriga.
Logo, o choro fraco da criança, como de um gatinho, pôde ser ouvido.
E a conversa entre Sofia e Arthur.
— Arthur, essa criança toda enrugada é tão nojenta, não se parece nada com você.
— Então não olhe. Deixe os médicos resolverem.
Arthur protegeu Sofia e saiu da sala de parto.
E nem se deu ao trabalho de lançar um olhar para a criança.
A criança também sentiu que não era bem-vinda, e sua voz ficou cada vez mais fraca.
Apenas aquela mãozinha estendida no ar, parecendo esperar por algo.
Júlia sabia que a criança estava esperando por ela.
Esperando que ela segurasse sua mãozinha.
Ela se esforçou ao máximo para estender a mão, mas parecia estar separada por milhares de montanhas e rios.
Só podia observar impotente a criança ficar toda roxa, perdendo a vida aos poucos.
Bip—
A linha vermelha reta manchou profundamente de vermelho os olhos de Júlia.
Como se sua alma tivesse ido junto neste momento.

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