Ao ouvir isso, Júlia hesitou por um instante, mas, em questão de segundos, reagiu rapidamente:
— Que cachorro?
— Você que me diz. — Lucas olhou para ela com indiferença, os cantos de seus lábios contendo um sorriso irônico. — Preciso te lembrar? Aquele que você pegou quando invadiu a minha casa.
— Aquele cachorro é meu. — A voz de Júlia soou firme.
— Mas nestes três anos, nós que o criamos.
— Vocês chamam aquilo de criar? Vocês estavam abusando dele!
Assim que esse assunto foi mencionado, as emoções de Júlia perderam o controle. A imagem de Bolinha sendo chutado e agredido por Arthur invadiu instantaneamente a sua mente. Até hoje, ela tinha pesadelos com isso.
Além disso, ela não acreditava que Lucas desconhecesse esse fato.
E, como esperado, no segundo seguinte, ele declarou:
— E daí? Não se esqueça, aquilo é apenas um animal.
— Um animal? — Júlia repetiu com uma risada fria. — Isso depende de como se define. Algumas pessoas, embora vistam a pele humana, em sua essência, são muito piores do que eles.
— Júlia — advertiu Lucas —, me irritar não trará nenhum benefício para você.
— Além disso, do nascimento até agora, nunca existiu nada que o Arthur quisesse e não pudesse obter.
Júlia não recuou em nada:
— Como você quer mimá-lo é um problema seu. Mas devolver o Bolinha? Nem pense nisso.
— E se eu fizer questão disso?
— Então tente.
Desta vez, Júlia arriscou tudo. Em outras questões, talvez ainda houvesse espaço para negociação, mas nisso não. Bolinha era a linha que não podia ser cruzada. Deixá-lo em Nova Alvorada três anos atrás já fora um erro irreparável, agora ela só queria dar a ele um pouco mais de calor no tempo de vida limitado que lhe restava.
— Saia.
Ouvindo essas palavras, Júlia só as achou irônicas. Eles haviam discutido por tanto tempo, e, no fim, nada foi mais eficaz do que uma única ligação de Valentina. De qualquer forma, ela se contentava com o resultado; seu objetivo final era, afinal de contas, sair do carro.
Portanto, Júlia pegou as suas coisas e, sem hesitar, abriu a porta e desceu do carro.
Ao sair do carro, ela não voltou para casa, mas foi primeiro ao Hospital Port Royal.
Como Marina agora estava sendo cuidada por profissionais, embora ainda passasse pela quimioterapia, o seu ânimo estava bom. Além disso, as pessoas de lá eram agradáveis, e ela até tinha feito um ou dois amigos.
Ao ver Júlia chegar, ela compartilhou entusiasmada com ela a fofoca que tinha acabado de escutar da amiga:
— Dizem que este hospital é um investimento de um morador de Porto Belo, e que o dono em si é muito bonito. Você já o viu, Júlia?
Júlia balançou a cabeça. Ela não queria revelar à mãe muitos assuntos não relacionados à sua recuperação.
No entanto, pensando em "bonito", a verdade é que ela tinha visto o Sr. Carvalho algumas vezes. Com mais de quarenta anos e, embora exalasse uma aura límpida, asseada e erudita, ele não parecia combinar inteiramente com "muito bonito". Mas pensando melhor, talvez aquele fosse o padrão de beleza das meninas de hoje em dia. Não houve um período não muito tempo atrás em que o estilo "tiozinho" estava super em alta?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Fui a Esposa de Fachada do Bilionário — Até Pedir o Divórcio e Ver Ele Perder o Controle