Ela não esperava que a primeira vez que ele perguntasse fosse sob essas circunstâncias; era realmente irônico.
Júlia repetiu a mesma frase que dissera antes na mesa de jantar:
— Perdi.
— Perdeu? Tudo bem você enganar a vovó com esse tipo de conversa — Lucas olhou de lado para ela —, mas você tratava aquele anel como se fosse mais importante que a sua própria vida. Acha que o perderia? Além disso, com o que eu conheço de você, se o tivesse perdido mesmo, duvido muito que estaria tão calma.
Afinal de contas, no passado ele também não deixara de perceber o grau de apreço com que ela valorizava o anel.
Claro que o anel não estava perdido; na verdade, Júlia o havia jogado fora. Porém, ela realmente não compreendia a intenção dele em dizer aquilo no momento:
— Se perdi ou não, importa? Você liga para isso? Por que está perguntando sobre isso agora?
Lucas soltou uma risada fria. De fato, o que acontecera com o anel não lhe importava nem um pouco; tal como a própria pessoa dela, não passava de um simples enfeite. Quanto ao motivo pelo qual ele fizera a pergunta instantes atrás, fora apenas um impulso repentino.
— Quando você volta para Porto Belo? — Ele trouxe o assunto de volta aos eixos.
O pedido de demissão dela fora aprovado pessoalmente por ele. Quanto ao motivo pelo qual ele ainda fazia essa exigência sabendo que ela se demitiria, Júlia também conseguia deduzir: era porque a sua volta perturbava a vida normal que ele tinha com Valentina e Arthur. Por isso, mesmo que fosse por apenas um mês, ele não queria vê-la.
Acontece que, como ela ainda não havia se demitido oficialmente, a exigência dele, do ponto de vista legal, também era razoável.
— Não posso voltar agora.
— Por que não?
Júlia não tinha mais paciência para trocar meias-palavras com ele, e a raiva contida no seu peito subiu de uma vez:
Mas descobriu que a porta continuava trancada. Ela ficou um pouco irritada: — Você já fez a sua exigência, o que mais você quer?
Assim que as palavras caíram, Lucas de repente se inclinou em sua direção, estendendo a mão como se fosse tocar no ombro dela. Júlia não sabia o que ele ia fazer e, por instinto, esquivou-se um pouco.
No segundo seguinte, no entanto, ouviu a risada fria de Lucas: — Você está imaginando coisas. Eu não tenho nenhum interesse em você.
Naquele instante, o rosto de Júlia ficou pálido. Ter um homem dizendo aquilo na sua cara, ainda mais sendo esse homem o seu próprio marido, era um insulto indescritível para qualquer mulher.
— Abra a porta, eu quero sair. — Exigiu ela mais uma vez, com firmeza.
Lucas continuou a ignorá-la, estendendo a mão para lhe mostrar o que tinha na ponta dos dedos: era um pelo branco, que ele acabara de tirar do ombro de Júlia.
— Onde está o cachorro?

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