— Se formos pensar dessa forma, eu também sou o pai do Arthur, então a minha responsabilidade não é ainda maior?
O que Valentina queria era exatamente essa frase. Ela queria fazê-lo se lembrar de seu papel e de sua responsabilidade a cada momento, gravar isso em seus ossos. Assim, mesmo que ele tivesse outros pensamentos no futuro, ele frearia antes do abismo e se controlaria.
— Não foi isso que eu quis dizer. — Valentina forçou um par de lágrimas falsas. — É só que eu sinto pena do Arthur. A gente não tem muito tempo para ficar com ele no dia a dia, e mesmo doente ele não chora, não faz birra. Se eu não tivesse percebido, ele nem teria me contado.
Ao mencionar isso, Lucas também se sentiu culpado. Ultimamente, ele de fato vinha dando muito menos atenção aos dois. Ele pegou um lenço de papel para enxugar as lágrimas dela: — Tudo bem, já entendi. Vou arranjar mais tempo para ficar com vocês de agora em diante. Vou tentar não marcar mais trabalho aos finais de semana, está bom assim?
— É sério? — Mesmo tendo atingido o objetivo, Valentina ainda precisava continuar fingindo.
— Claro.
— Que bom, aposto que o Arthur vai ficar muito feliz quando acordar e souber disso.
Do outro lado, como a conversa com Lucas não deu em nada, Júlia não ficou na rua por mais tempo e voltou direto para casa.
Isabela não estava. Ao sair mais cedo naquele dia, havia dito que tinha uma audiência no tribunal e Júlia não havia perguntado mais nada. Ela olhou para a hora, calculou que Isabela logo estaria de volta, e começou a preparar a comida.
Uma hora depois, Isabela realmente voltou. Ao ver os pratos preparados na mesa, ficou chocada: — Que dia especial é hoje? Por que você preparou tantas coisas boas?
Júlia saiu da cozinha, trazendo o último prato: — Não é dia de nada. Só queria agradecer você.

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