Mas Arthur não entendia essas coisas e continuava a chorar alto. Valentina ficou com dor de cabeça de tanto barulho e só lhe restou ameaçá-lo: — Se você continuar chorando, eu vou te mandar lá pra Júlia. Você sabe o quanto ela é assustadora, não sabe? Ela te bate, te xinga e ainda te deixa sem comer!
Depois de tantos anos daquela lavagem cerebral persistente, para Arthur, Júlia era a encarnação do lobo mau. Na mesma hora, ele ficou tão assustado que não se atreveu a dar um pio e, tremendo, disse: — Mamãe, eu não choro mais. Por favor, não me manda embora.
Só então a expressão de Valentina melhorou um pouco: — Você decorou as palavras que eu te ensinei agora pouco?
— Decorei tudo. — Arthur cobriu a boca com os punhos apertados, com medo de chorar em voz alta de novo, pois estava realmente apavorado de ser mandado para Júlia.
— Então repete.
Arthur obedeceu: — Foi porque eu fui guloso e comi sorvete escondido que acabei ficando com febre. Ligar para o papai também foi ideia minha, foi porque senti saudade dele.
— Hum. — Só assim Valentina ficou satisfeita. — Bom garoto. Quando o seu pai voltar, é assim que você vai falar.
Arthur ainda fungou um pouco: — Eu posso ficar um pouquinho lá no canto agora? — Ele realmente estava com um pouco de medo da Valentina daquele jeito.
— Não pode. Você tem que continuar com a toalha quente, senão daqui a pouco a sua testa não vai estar mais quente.
— Não posso ficar sem isso? — Arthur argumentou baixinho. — A toalha é muito quente, não é confortável colocar na testa.
Na verdade, não era apenas desconfortável, era muito ruim; ele sentia como se estivesse cozinhando.

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