Afinal, eram uma família. Continuariam se encontrando.
Ser obsessiva e se culpar por isso só tornaria tudo mais embaraçoso com o tempo.
Mas, para Wendy, as palavras que deveriam servir de consolo foram como jogar gasolina no fogo.
Desistir de Timothy? Por quê?
Sem esperança? Helen o roubou!
Futuro cunhado? Ela nunca aceitaria isso!
Aquela família só sabia favorecer Helen.
Queriam agradar a recém-chegada, forçando Wendy a abrir mão de Timothy, sua única chance de ascender socialmente e integrar-se a uma família de elite.
Esperavam que ela entregasse Timothy sem lutar.
Estavam todos obcecados por Helen, ignorando completamente os vinte anos de convivência e dedicação de Wendy.
Com os punhos cerrados, ela manteve a cabeça baixa, tentando esconder o ódio e o ressentimento que cresciam em seus olhos.
Suas unhas impecáveis deixavam marcas vermelhas nas palmas.
Mordeu o lábio inferior até sentir o gosto metálico do sangue.
Jamais deixaria Helen vencer.
Timothy era dela.
Tudo dos Walcott também seria dela.
Helen não tiraria isso dela.
...
O Maybach preto seguia tranquilamente pela estrada sob o céu noturno.
Helen recostava-se no banco, analisando calmamente os dados criptografados do núcleo do instituto de pesquisa que estavam em seu colo.
Seu olhar era sereno e atento.
Timothy, com uma mão no volante, mantinha a postura relaxada, lançando olhares ocasionais para ela.
A luz suave e as sombras realçavam ainda mais a beleza fria e hipnotizante de Helen.
Um sorriso discreto surgiu nos lábios dele. Sua voz soou baixa, quase um sussurro no silêncio do carro. — E então, Helen. Acha que marquei um touchdown com sua família esta noite? —
Helen não ergueu a cabeça. Continuou folheando os dados, respondendo de forma casual: — Você está exagerando. Eles só respeitaram o que eu quis. —
Ele soltou uma risada baixa e rouca, carregada de charme.
Tão envolvente que causava arrepios.


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