Philip sonhava há anos em trazer Helen para o Instituto Prometheus como diretora.
Helen olhou o relógio e balançou a cabeça. — Preciso voltar para casa. Amanhã cedo aplicarei a terapia de agulhas no meu avô.
Para aliviar a dor de Felix, ela havia preparado dois dias de banhos medicinais, relaxando suas pernas antes do verdadeiro tratamento.
Além disso, se não voltasse, sua família passaria a noite em claro, esperando por ela.
— Claro, claro. Nossa Helen finalmente tem uma família que se importa com ela — disse Philip, com um sorriso caloroso que suavizava suas feições normalmente rígidas. Nem se deu ao trabalho de chamá-la formalmente de "Srta. Walcott".
Suspirou. — Desde que voltou para os Morgans, quatro anos atrás, não a vi sorrir uma única vez. Agora, consigo ver que está em paz com sua verdadeira família. Isso me alivia o coração.
Helen abaixou ligeiramente os cílios e respondeu com um leve "mm".
Os dois caminharam lado a lado até o último posto de segurança.
— Professor Langford!
A voz súbita ecoou no silêncio da noite.
Wendy surgiu de um canto escuro, onde esperava escondida.
Levantou-se bruscamente, forçando um sorriso no rosto. Seus olhos iam de Philip para Helen, até pararem fixos nela. — Helen.
Philip franziu o cenho. — Ainda está aqui? Eu disse para agendar pela universidade, se precisar de algo.
— Me desculpe, Professor Langford. — Wendy apertou os dedos, sentindo a irritação crescente dele.
Tinha vindo com esperança de ser oficialmente aceita como aluna.
Agora percebia que ele estava, na verdade, incomodado com sua presença.
Engolindo o pânico, tentou se recompor. Voltou-se para Helen com um sorriso gentil. — Já está tão tarde. Achei perigoso deixar a Helen ir sozinha, então esperei por ela.
Assumindo o papel de irmã preocupada, curvou-se com elegância. — Professor Langford, desculpe. Helen não entende as regras daqui. Desculpe incomodá-lo a essa hora.
Era sua tentativa desesperada de melhorar a imagem diante dele.
Se fingir de próxima a Helen parecia ser a única saída, já que a atitude de Philip com ela era, sem dúvida, especial.
Como previsto, o semblante de Philip se suavizou ligeiramente. Voltou-se para Helen. — Sua irmã?
Helen nem levantou o olhar. — Na verdade, não.
— Ah — murmurou Philip, com um aceno leve. Isso bastava. Helen não desejava laços com Wendy.
A expressão dele voltou a endurecer enquanto olhava para Wendy.
O estômago de Wendy se revirou. Sentiu o peso do desprezo não dito.
Ela havia se humilhado chamando Helen de irmã — uma garota do interior — e ainda assim foi rejeitada.
Helen estava destruindo sua reputação de propósito. Bloqueando seu caminho.
Por quê? Por inveja?

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