Os outros médicos ficaram paralisados.
Um a um, eles se viraram para encarar Gary, incrédulos.
Gary sempre zombara da medicina tradicional. Nunca escondeu seu desprezo por ela. Então, por que estava sendo tão cortês com aquela jovem que a praticava?
Não apenas cortês—ele estava quase respeitoso.
Será que tinha enlouquecido?
Helen lançou um olhar para Gary. Ela não queria que a situação entre Harvey, Minerva e a equipe do asilo piorasse. Também não queria quebrar o protocolo. Acenou com a cabeça, preguiçosamente, e disse:
— Tudo bem. Vamos fazer tudo conforme as regras.
Gary soltou um suspiro de alívio. Ele mesmo trouxe os tubos de ensaio e, com todo cuidado, coletou amostras dos dois recipientes do tônico de ervas.
Após lançar outro olhar furtivo para Helen, levou as amostras pessoalmente e seguiu direto para o laboratório.
— Isso mesmo, teste! — zombou o jovem médico. — Aposto que está cheio de metais pesados e bactérias. Quando saírem os resultados, vai ser você quem envenenou os próprios avós!
Dito isso, virou-se e marchou para o laboratório.
Os outros médicos ainda estavam atônitos com a atitude de Gary. Olharam para Helen e correram atrás dele.
Apenas uma enfermeira ficou no quarto. Sua tarefa era simples: vigiar atentamente os dois idosos e garantir que não bebessem o tônico até saírem os resultados.
No laboratório, as máquinas ganharam vida.
Os instrumentos zumbiam. Dados começaram a piscar nas telas.
O médico loiro e o jovem médico cruzaram os braços, sorrisos presunçosos no rosto. Estavam prontos para assistir a uma piada se desenrolar.
Mas, à medida que linha após linha de dados aparecia, suas expressões mudaram.
Os sorrisos sumiram. Os rostos congelaram. Depois, veio o puro choque.
— I-isso não pode estar certo!
— Metais pesados zerados? Bactérias zeradas? E os compostos ativos! Meu Deus! Por que os níveis ativos estão tão altos?!
— Isso não é casca de árvore nem raiz selvagem! É essência de vida altamente concentrada!
— E-olhem isso — sussurrou outro médico. — O perfil nutricional está perfeitamente ajustado para o Sr. Manon e a Sra. Minerva.
...
Suspiros tomaram conta da sala. Todos os médicos encaravam a tela, incrédulos.
Gary segurava os relatórios impressos nas mãos. Elas tremiam.
Seus olhos estavam fixos nas fórmulas e na análise dos nutrientes.
Seu rosto não mostrava sinal de aborrecimento pelo que acabara de acontecer.
— Depois do café da manhã — acrescentou —, vou pedir ao diretor do asilo que venha e providencie exames médicos completos para vocês dois.
— O diretor? — Harvey ficou surpreso por um instante. — Quer dizer o Dr. Bush? Ele é vice-presidente da Cúpula Internacional de Medicina. Tem fama de ser exigente. Até nós precisamos marcar consulta com um mês de antecedência só para vê-lo. Isso é só um check-up de rotina. Não precisa incomodar o Dr. Bush.
— Para evitar problemas depois — disse Helen, com um leve sorriso —, tê-lo aqui uma vez não será incômodo algum.
Mal terminara de falar, quando passos firmes ecoaram do lado de fora.
Saltos altos batiam no chão, seguidos de uma risada exagerada.
— Ah, minha querida prima — disse uma voz adocicada —, você cresceu no interior, então provavelmente não entende o quanto o Dr. Bush é importante.
Anya entrou, de braços dados com Wendy.
O rosto bonito de Anya mostrava surpresa teatral. O tom parecia inocente, mas os olhos estavam cheios de deboche.
— Ele é o diretor deste asilo. Você acha mesmo que pode convidá-lo só porque quer? E ainda diz que 'não é incômodo'? Helen, se for para se gabar, pelo menos pesquise o histórico do Dr. Bush antes.
Wendy sorriu docemente.
— Helen, sei que você tem boas intenções, mas o Dr. Bush é extremamente ocupado. Não é alguém que se chama por qualquer motivo. A agenda dele deve estar lotada até o ano que vem. Melhor seguirmos as orientações dos médicos e não incomodá-lo.

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