E as habilidades de direção de Helen eram ainda melhores que as dela.
Hector lançou-lhe um olhar de soslaio, calmo. "Você quase causou um acidente agora há pouco, e ainda tem coragem de se gabar da sua direção?"
"Isso foi porque você apareceu do nada!" Serpente Escarlate retrucou, as bochechas infladas de indignação.
Hector observou aquele rosto selvagem e teimoso, cheio de desafio. Sua expressão suavizou um pouco, e um leve sorriso brilhou em seus olhos.
Ele baixou a voz. "Entra no carro. Vou te levar para jantar naquele restaurante novo do lado sul da cidade. O chef principal de hoje é descendente de um antigo chef da realeza. Se formos agora, não vamos precisar esperar na fila."
Os olhos de Serpente Escarlate brilharam na hora.
Ela hesitou, olhou para sua motocicleta, depois pensou no que Hector disse...
Fez sua escolha sem pestanejar. "Tudo bem!"
Jogou a perna longa por cima e desceu da moto num salto.
Depois, empurrou a motocicleta para a lateral da rua, tirou uma foto com o celular e mandou para Dale, pedindo que ele enviasse alguém para buscar sua preciosidade.
Logo após enviar a foto, viu chamadas perdidas e mensagens de Helen.
"Onde você está?"
"Timothy está aqui. Para onde você foi?"
Serpente Escarlate encarou o nome de Timothy. Seus olhos giraram levemente, e então ela abriu um sorriso repentino.
Digitou rápido. "Lennie, vai na frente. Hector vai me levar para comer uma coisa boa, então nada de me incomodar!"
Depois de enviar a mensagem, enfiou o celular no bolso, abriu a porta do carona e entrou. Enquanto colocava o cinto de segurança, incentivou, animada: "Hector, anda logo! Vamos para esse restaurante novo!"
Hector ficou sem palavras. Achava mesmo que Helen era obcecada por comida.
Ele riu baixo. "Você não vai buscar a Helen?"
"Não precisa!" Serpente Escarlate deu um tapa no braço dele e riu. "Timothy já foi buscar a Lennie. Melhor não sermos o casal vela."
Hector franziu a testa ao ouvir o nome de Timothy.
Aquele sujeito sempre sabia aproveitar as oportunidades. Grudava em Helen sempre que podia.
Já estava tarde. Um homem e uma mulher sozinhos... não parecia muito apropriado.
Os olhos de Hector brilharam por um instante.
"Hector?" Serpente Escarlate inclinou a cabeça para ele. Seus cabelos longos caíram, alguns fios roçando o dorso da mão dele.
Ela sacudiu o braço dele. "Anda logo. Estou morrendo de fome!"
O olhar de Hector desceu para a mão pousada em seu braço.
A mão de Serpente Escarlate não era exatamente delicada. Se olhasse de perto, havia várias pequenas cicatrizes no dorso, e calos leves nos nós dos dedos.
Se Serpente Escarlate aprontasse de novo, Timothy ia se achar o máximo.
Ela olhou para Timothy.
Se não conhecesse tão bem Serpente Escarlate, talvez suspeitasse que Timothy tinha dado um jeito de conquistá-la.
Quando olhou para ele, percebeu que Timothy já a observava. Os olhos dele eram profundos, com um sorriso gentil.
"Em que está pensando?" A voz dele soou baixa, suave e envolvente dentro do carro fechado.
Aquele tom macio parecia envolver os ouvidos de Helen.
Helen lançou-lhe um olhar. "Estou pensando por que você não está dirigindo e só está parado aqui."
Timothy soltou uma risada baixa. O sorriso em seus olhos se aprofundou, trazendo um charme perigoso ao rosto bonito.
"Claro que é porque quero passar mais tempo a sós com você."
O aroma fresco de pinho envolvia Helen.
Aquela voz baixa e íntima roçou seus ouvidos como um sussurro.
As pontas das orelhas dela esquentaram—e coçaram um pouco.
Ela virou o rosto para fugir do sopro dele, então ergueu a mão e pressionou, sem piedade, o rosto dele—bem naquele rosto que, à meia-luz, parecia ainda mais de tirar o fôlego.

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