Jackson largou o celular, o olhar ficando mais frio.
Celina foi acordada pelo barulho, e não conseguiu mais dormir. Com o corpo ainda febril, esforçou-se para sair da cama.
Jackson a impediu.
"Onde você vai?"
"Cuidar da sua mãe, ué. Eu questionei ela, magoei o coração de vocês todos, cometi uma grande traição, então preciso ser escrava pra redimir meus pecados."
"Não vá!" Jackson franziu a testa. "Deite-se, eu falo com ela."
Celina sacudiu a mão dele, soltando uma risada fria.
"Vai falar o quê? Vai apostar minha medula de novo?"
"Celina, você não está entendendo a situação agora..."
Jackson tentou explicar, mas Celina o interrompeu.
"Que situação? Você tem medo que sua irmã fique chateada, aí aposta minha medula, se ganhar você descobre a verdade, se perder tiram minha medula, sua irmã e sua mãe ficam felizes, de qualquer jeito você não perde nada. E eu? Eu sou só o sacrifício. Essa é a situação real, já te poupei do trabalho de inventar desculpa pra me enganar."
As palavras de Celina o atingiram em cheio.
"É assim que você entende o que estou passando?"
"O que você está passando?" Celina sorriu de leve, quase zombando. "Interrompi a noite do Diretor Tavares, realmente, sou imperdoável."
Jackson saiu do quarto.
Saiu de tanta raiva.
Na manhã seguinte, a febre de Celina já havia passado.
João apareceu no quarto para saber se ela iria ao trabalho naquele dia.
Para virar o jogo, é claro que ela precisava ir ao Pederneira Verde.
Se não fosse, como iria arranjar pretexto para ir ao Centro Riko?
Acontece que, passando pelo saguão do ambulatório, ela cruzou exatamente com Karina, que tinha trazido o avô para uma consulta de retorno.
Celina, por instinto, escondeu as mãos.
"Celina, seu avô disse que você está ocupada, pediu pra eu não te incomodar. Por isso peguei um carro e trouxe ele sozinha pro hospital. Você nem imagina, é um sufoco conseguir táxi com a cadeira de rodas dele. E aí, você e o Jackson fizeram as pazes?"
João, olhando para os próprios pés, não disse nada.
Karina, satisfeita, comentou: "O Diretor Tavares trata a Celina muito bem, eles finalmente se reconciliaram."
O avô, observando as pessoas apressadas, perguntou: "Você acha mesmo que fiquei velho e bobo, e pode me enganar com qualquer coisa?"
"Pai, a Celina não está bem?"
"Os dez dedos dela estão vermelhos daquele jeito, vai me dizer que não é queimadura, que foi ela que pintou de propósito?"
Karina ficou sem resposta.
O avô apertou o apoio da cadeira. "A família Tavares acha que pode pisar na família Marques porque não temos ninguém pra nos defender."
...
Depois de chegar ao Pederneira Verde, Celina logo encontrou uma oportunidade para ir escondida ao Centro Riko.
Era início do expediente da tarde.
Ela parou no corredor que levava ao laboratório de exames, e, usando as fotos do mural da entrada, encontrou com precisão a pessoa que procurava.
"Bruno!"

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