Depois do jantar, Celina e Lorenzo se despediram na porta do restaurante.
Os dois também trocaram contatos, facilitando futuros encontros no centro de acolhimento.
Celina acompanhou Lorenzo com o olhar enquanto ele se afastava. Ao se virar, quase trombou com o peito de Jackson.
Ela claramente se assustou, recuando alguns passos enquanto segurava o peito. "O que foi?"
"Você nunca usa esse tipo de vestido."
Durante os quatro anos de casamento com ele, Celina sempre se pautou pelos padrões de uma esposa dedicada e mãe exemplar. Apesar de ter apenas vinte e seis anos, ela sempre preferia roupas largas, escondendo suas delicadas curvas, temendo que um visual mais ousado a fizesse parecer leviana.
Mas aquele vestido, além de jovial, delineava inesperadamente sua cintura fina.
Jackson, como homem, sabia bem onde ela era mais atraente.
Ele não suspeitava de nada entre Celina e Lorenzo, mas vê-la vestida assim diante de Lorenzo lhe provocou ciúmes.
Celina arqueou levemente a sobrancelha diante do comentário dele. "E então, vestido branco agora é exclusividade da sua irmã?"
Jackson não se irritou; ao contrário, sorriu: "Em você fica ainda melhor."
Celina assentiu. "Vejo que você observa com atenção."
Jackson apertou os lábios. Quando a mulher está chateada, cada palavra que diz parece ter espinhos.
Vendo que ele não tinha mais o que dizer, Celina se virou para sair.
Jackson a segurou de repente. "Vamos pra casa."
"Eu mesma vou até a Mansão Platina."
Aquele lugar já não era mais sua casa, apenas uma moradia temporária antes do divórcio.
Uma veia saltou na testa de Jackson. "Podemos conversar no caminho."
Celina achava que não havia mais o que discutir entre eles, mas Jackson, teimoso, a puxou para o carro.
"Eu verifiquei o histórico médico da Elisa. Ela está realmente doente, então você não precisa procurar o médico dela para confirmar."
Celina, mesmo tendo sido desmascarada em seus pensamentos, não demonstrou constrangimento, apenas sorriu levemente.
Jackson rangeu os dentes. "Quero comer o macarrão que você faz."
"Diretor Tavares, quantas empregadas você tem na sua casa?"
Sem esperar a resposta, ela apoiou as mãos na cintura e voltou rapidamente para o quarto.
Dias atrás ela havia colocado uma tranca na porta, que hoje alguém tinha removido. Celina, furiosa, xingou mentalmente todos os antepassados de Jackson.
Dona Costa percebeu o mau humor de Jackson e rapidamente se aproximou: "Diretor Tavares, quando o coração esfria, não são palavras doces que o aquecem. Vou preparar seu macarrão, é só aguardar um momento."
Jackson estava incomodado, com o rosto fechado.
Lembrou-se de que, pouco depois do casamento, um exame mostrou que ele estava com uma infecção por Helicobacter pylori.
Celina ficou extremamente preocupada, insistiu para que ele fizesse o tratamento e, desde então, passou a cuidar de seu estômago com atenção especial.
Ela controlava todas as suas refeições, exigia horários certos para comer, proibia alimentos picantes ou frios, como se pudesse, com vigilância rigorosa, impedir qualquer doença gástrica.
Se ele tivesse um compromisso e ela não pudesse acompanhá-lo, pedia para João fazer o controle por ela.

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