Ela respondeu:
— Pode go, os documentos são mais importantes. Meu futuro inteiro depende de você.
Isso não era um exagero.
Se o projeto "Julho" passasse pela aprovação oficial e conseguisse a licença, Celina alcançaria o status que outrora pertenceu a Waldir Palma: uma pesquisadora sob proteção estatal.
Sentindo o peso da responsabilidade, Janaina assentiu seriamente e partiu o mais rápido possível.
Celina entrou no camarote e viu Bernardo a aguardando.
Com um atraso de uns dez minutos, ela pediu desculpas prontamente.
Bernardo, por outro lado, sorriu e levantou-se para pegar o casaco dela.
— Celina, desde quando você se tornou tão formal comigo?
Ela desviou das gentilezas, contudo, pendurando ela própria a vestimenta no cabide.
Bernardo balançou a cabeça com um sorriso, voltou para o assento e serviu uma xícara de chá para ela.
O ambiente do camarote estava climatizado e acolhedor, o que fez com que as mãos de Celina, levemente frias por causa do vento lá fora, fossem se aquecendo aos poucos.
— Preocupado que você não conseguisse dormir à noite, pedi um chá de frutas. O doce está no ponto certo? — questionou Bernardo.
Celina tomou um gole, mas não deu opinião alguma sobre o sabor. Ela partiu diretamente para o que importava:
— Eu só quero saber se o que Luiza disse é verdade.
Bernardo assentiu.
— Sim, é verdade. A cirurgia não pode ser efetuada sem o consentimento legal de nós dois.
— Então... — Celina acomodou-se contra as costas da cadeira, demonstrando descontentamento. — Você sabia desde o princípio que a cirurgia da Jessica jamais aconteceria?
Ele umedeceu os lábios.
— Celina, eu não omiti a informação de propósito.
Celina soltou uma risada ríspida, olhando para longe.
— Eu já estava resignada com o pior cenário possível. Se não quisessem ajudar, eu cederia o meu coração para ela. Foi você quem abriu caminho, botando esperança nas minhas mãos só para retirá-la de volta sob o pretexto da "autorização". A sua diversão é brincar com a minha dor?
As palavras estavam presas na garganta de Bernardo. Mal ele abriu a boca para falar e Celina virou a cabeça para fitá-lo nos olhos.
— Alguém que já desdenha a vida e a morte não teme as apostas, mas odeia as falsas esperanças sendo dadas para fazê-la de idiota. Ainda mais... vindo de você. Achei que você e Luiza não seriam farinha do mesmo saco.

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