Naquele momento de confronto sufocante, Agnes Palma, que estava inconsciente ao lado, lentamente despertou.
A última frase do sequestrador entrou em seus ouvidos, e ela instantaneamente ficou apavorada.
"Cunhado, Félix, me salve, eu não quero vestir isso, eu não quero morrer."
Ela gritou alto, seu corpo tremendo violentamente de puro medo.
Celina Reis sentiu como se tivesse voltado aos seus doze anos, quando ela e seu pai foram perseguidos perto de Landor, com quase todas as rotas de fuga bloqueadas. Félix Leite não hesitou em escolhê-la para ser descartada.
Um momento antes de entrar no carro, Félix segurou seus braços e perguntou se ela confiava nele.
Naquela época, Celina já tinha um pressentimento sobre seu futuro, mas ainda assim assentiu.
Sua confiança nele superava a confiança em si mesma.
No entanto, até o momento em que seu carro capotou e caiu no rio, ela nunca o viu chegar.
E desta vez, Agnes era a menina dos olhos da Sra. Palma.
Se ela merecia ou não o que estava acontecendo, não importava.
O importante era que, se Félix permitisse que algo acontecesse com Agnes ali hoje, ele não seria capaz de se explicar para a Família Palma. Todas as relações e o equilíbrio que ele mantinha desmoronariam.
Memórias e realidade submergiram Celina como a água gelada de um lago.
Ela mal conseguia se manter de pé, mas felizmente o sequestrador a segurava rudemente pelo braço. Esse breve apoio mal disfarçou a fraqueza que a fazia cambalear.
Celina não olhou mais para Félix, apenas fechou os olhos lentamente, resignada.
O olhar de Félix permaneceu sobre ela por um breve momento, antes de finalmente fazer a escolha que não tinha suspense algum.
"Solte a Agnes."
A última centelha de esperança no coração de Celina se extinguiu completamente, e um sorriso surgiu no canto de seus lábios.
O líder dos sequestradores, sem dizer uma palavra, vestiu o colete-bomba em Celina.

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