Celina Reis entrou na cozinha e olhou ao redor, onde três ou quatro cozinheiros estavam atarefadíssimos.
Seu olhar passou por Sandra, como que por acaso, e pousou na bancada.
"Vocês vão fazer o frango ensopado com cachaça?", perguntou ela.
"Sim, senhora."
"Este prato depende muito da qualidade da cachaça. Qual estão usando?"
Walace apressou-se em apresentar uma pequena garrafa de cerâmica: "É a ‘Reserva Real’, envelhecida por dez anos."
Celina abriu a tampa e cheirou, batendo levemente a borda da garrafa com o dedo mínimo.
Um pouco de pó caiu discretamente dentro do recipiente e desapareceu com um leve agitar de sua mão.
"Nada mal, é uma ótima cachaça. Podem começar a preparar."
"Fique tranquila, senhora, não economizaremos nos ingredientes."
Enquanto falava, Walace colocou a valiosa garrafa de cachaça de volta em seu lugar.
Celina exibiu seu sorriso amável de sempre. "Para o meu marido, a Sra. Palma é como uma segunda mãe, e ele sempre acata tudo o que ela diz. O jantar de hoje à noite não pode ter nenhuma falha."
Walace concordou repetidamente.
Celina lançou um olhar para Sandra, que estava agachada em um canto, ocupada.
Essas palavras chegaram aos ouvidos de Sandra, sem que uma sílaba fosse perdida. Se ela tivesse um pingo de astúcia, já estaria pensando em como causar problemas.
Com um sorriso sutil, Celina deixou a cozinha.
À noite, a Sra. Palma chegou como o combinado.
Naturalmente, Agnes Palma a acompanhava.
Félix Leite, acompanhado por Celina, recebeu a Sra. Palma na entrada.
Agnes, por sua vez, esforçava-se para manter a imagem de uma filha obediente e bem-comportada, mas seus olhos não paravam de percorrer o pátio.
Ela procurava por aquela raposa.

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