Luiza olhou com mais atenção. O homem de costas para elas se virou para falar com o garçom.
Aquele rosto era, inconfundivelmente, o de Bernardo, que naquela manhã havia recusado o convite para jantar na casa da Família Palma, alegando ter um compromisso.
O sangue de Luiza pareceu congelar. O celular que ela segurava para tirar a foto quase caiu no chão.
Desde a manhã ela sentia que havia algo estranho entre os dois. Sua intuição estava certa.
"Irmã", Agnes a sacudiu, "por que seus olhos estão tão vermelhos? Será que sua pressão subiu?"
"Celina... Celina! Eu vou acabar com você!"
Luiza suprimiu a fúria que subia à sua cabeça, encontrou um número em sua lista de contatos e discou.
Bernardo estava conversando com Celina sobre histórias engraçadas do colégio quando, de repente, uma bengala o atingiu por trás.
Sem tempo para desviar, ele levou uma pancada em cheio.
Ele se virou e, em vez de ficar com raiva, levantou-se respeitosamente.
"Vovô, o que o senhor está fazendo?"
Naquele momento, todo o restaurante olhava para eles.
Avô Sampaio apontou para Celina. "A honra da Família Sampaio não é para ser desperdiçada em lugares como este, na companhia de mulheres de reputação duvidosa!"
As palavras "mulheres de reputação duvidosa" ecoaram no ar como um chicote, extremamente humilhantes.
"Como você pode fazer isso com a Luiza!"
O velho, furioso, bateu a bengala no chão com força.
"Vovô, quem foi o fofoqueiro? Estamos apenas jantando normalmente..."
"Senhor!"
Celina segurava um copo de água, os nós dos dedos levemente brancos, mas o rosto ainda mantinha um sorriso educado.

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