"Você..."
Celina lançou um olhar ao sofá atrás da porta.
Estava bem colocado, sem ter sido movido.
Então ele havia entrado pela janela.
Ela suspirou, sem vontade de dizer nada, e caminhou em direção à cama.
Jackson se aproximou em poucos passos, segurando-a pela cintura e colando-a contra si.
Celina tentou empurrá-lo, mas ele segurou seu queixo, forçando-a a olhar para ele.
Sem alternativa, ela fechou os olhos.
"Sou tão assustador assim, que você nem ousa me encarar?" Jackson perguntou.
Celina permaneceu em silêncio, mas o desgosto estampado em seu rosto lhe deu a resposta.
Jackson soltou uma risada fria, levantou-a nos braços e a lançou sobre a cama, deitando-se por cima dela.
Celina havia acabado de tomar banho, vestia apenas um roupão — ele não encontrou resistência.
Fazia muito tempo desde que tinham se tocado. Inicialmente, ele só queria assustá-la, mas acabou perdendo o controle.
Ao beijar o lóbulo de sua orelha, sentiu uma gota salgada e amarga cair em seus lábios. Jackson recobrou um pouco a consciência e parou.
Celina sabia o quanto ele era dominante nesse tipo de situação; quanto mais resistisse, mais ele se empolgaria, então simplesmente deixou de lutar.
Ainda assim, a emoção reprimida acabou se transformando em lágrimas, que escorreram involuntariamente.
O coração de Jackson amoleceu, mas, depois de respirar fundo algumas vezes, não desperdiçou essa chance de dar-lhe uma lição.
"Agora você só resiste em silêncio? Então nem lágrimas deveria derramar, continue lutando comigo."
Celina, cheia de aversão, virou o rosto para evitar sua respiração.
Jackson virou o rosto dela de volta.
"Escute bem: não importa quais foram os seus motivos para se casar comigo, uma vez que me escolheu, estamos ligados para sempre. Meu casamento nunca foi apenas entre duas pessoas, então divórcio está fora de questão."
Os olhos de Celina estavam vermelhos, e o olhar que ela lançou a ele era carregado de ódio.
Ela havia decidido suportar tudo nessas últimas duas semanas, evitando conflitos, mas ele fez questão de procurá-la.
"Quer que eu passe a vida toda servindo de fachada para vocês? Ou..."
Ela riu tristemente.
Depois de desligar, Jackson voltou para a beira da cama e deu um tapinha em seu quadril.
"Preciso sair. Quero que você pense bem em tudo que eu disse esta noite. Celina, se não quiser viver tão cansada, precisa me compreender e aceitar o peso que carrego."
Celina fechou os olhos. Ele só exigia que ela o compreendesse, mas alguma vez se colocou no lugar dela?
Jackson não fazia ideia do que se passava pela cabeça dela e continuou: "E mais uma coisa, não gosto de perder o controle das coisas, então é melhor você saber até onde pode ir. Pare com isso, além de ser minha esposa e viver ao meu lado, você não tem outra escolha."
Celina continuou encolhida na cama, imóvel.
Ao sair, Jackson pediu à Dona Costa para mandar alguém retirar o sofá do quarto no dia seguinte.
Um vento frio entrou pela porta, fazendo Celina tremer.
Mesmo sabendo que ela havia perdido o bebê há menos de um mês, ele ainda queria forçá-la àquilo.
Para ele, ela era uma fachada, um escudo, um enfeite que respirava, mas nunca uma pessoa.
No meio da noite, Jackson voltou para casa.
A porta do quarto principal permanecia aberta, igual quando ele saíra, mas Celina já estava dormindo.
Ela se encolhia inteira, com a cabeça coberta pelo edredom.

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