Celina bufou e guardou a caixa de incenso.
"Cheirar muito disso encurta a vida, você não sabia?"
Francisca ficou sem palavras.
Naquela noite, cada uma dormiu em sua cama, sem trocar uma palavra.
Na madrugada seguinte, um grito rasgou o silêncio matinal do templo.
Amélia queria acordar o irmão para o café da manhã, mas por mais que batesse na porta, Miguel não acordava.
Então, ela pediu para abrirem a porta e encontrou Miguel inconsciente em seu quarto, com a respiração fraca.
O grito atraiu a todos, incluindo Celina e Francisca, que estavam a caminho do refeitório.
Samuel não perdeu a calma, imediatamente pediu a seu assistente que providenciasse um carro para levar Miguel ao hospital.
A administração da igreja, por sua vez, chamou a polícia.
Em meio à confusão, Francisca avistou a caixa de incenso de prata no quarto de Miguel, e seu coração deu um salto.
Ela usava caixas idênticas para embalar seu incenso calmante especial e, naquele momento, não conseguia distinguir se aquela era a sua ou se Miguel a havia obtido de outro lugar.
Ela instintivamente apertou os punhos, as palmas das mãos suando frio.
"Francisca, acompanhe-o no carro!", ordenou Samuel com voz grave.
Francisca não teve tempo para pensar, concordou e correu para o estacionamento.
Depois que a multidão se dispersou, e antes que a igreja isolasse a cena do crime, Celina entrou silenciosamente no quarto, que ainda cheirava a incenso tóxico.
No compartimento secreto da mala de viagem de Miguel, ela encontrou um saco selado contendo alguns fios de cabelo.
Ela rapidamente guardou o saco, mas ao sair do quarto, encontrou o Padre Celso parado no corredor.
Não se sabia há quanto tempo o Padre Celso estava ali, mas parecia que a estava esperando.
Celina franziu os lábios e explicou: "Eu só vim pegar o que é meu."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Eu Na UTI, Você Na Cama Da Outra!?