Celina pegou o incenso calmante e o largou de qualquer jeito sobre a mesa.
Ela realmente não tinha interesse naquilo, não era uma desculpa para Francisca.
No meio da noite, Celina acordou suando de calor novamente.
Quando tentou se virar, percebeu que Félix a envolvia firmemente em seus braços.
Ela tentou se soltar delicadamente, mas ele apertou ainda mais o abraço, e o calor de sua respiração morna acariciou a nuca dela.
"Miguel é mais esperto que seu irmão, você não tem medo que ele descubra?"
A voz de Félix vinha carregada de sono, ainda mais grave e sedutora do que de costume.
"Ele está bêbado, dormindo como uma pedra. Você não confia no talento do seu marido?"
Celina sentiu as orelhas esquentarem, empurrou-o levemente com o cotovelo, e perguntou em seguida: "Você também bebeu muito?"
"Uhum."
Ele continuou de olhos fechados, como um cachorro grande carente que gostava de ficar colado ao dono.
No ar, pairava o perfume do sabonete dele misturado com um leve cheiro de álcool, nada desagradável, ao contrário, transmitia uma sensação de segurança.
"Beba menos da próxima vez."
A voz de Celina saiu baixa, carregando um cuidado que ela mesma não percebeu.
"Pode deixar."
Ele a abraçou ainda mais forte.
Celina pensou em perguntar sobre o cheiro de sândalo em Miguel, mas, ao perceber a respiração dele ficando cada vez mais tranquila, não teve coragem de interrompê-lo.
Permaneceu de olhos abertos, organizando as pistas no escuro.
Quando seus pensamentos estavam confusos, ouviu sobre sua cabeça a voz dele, sonolenta, mas surpreendentemente clara.
"Notei algo estranho em Miguel. Quem é raposa, mais cedo ou mais tarde mostra o rabo. A Família Cruz é cheia de mistérios, é uma boa oportunidade para investigar."
"Eu só desconfio pelo cheiro, não tenho provas. Você acredita em tudo o que eu digo?"
Félix riu, levantou a camisa de dormir dela.
"Você é minha esposa. Se não acreditar em você, vou acreditar em quem?"

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