Celina Reis hesitou por um momento antes de caminhar lentamente até lá.
"Você viu com seus próprios olhos eu colocar aquilo, por que não me impediu?"
Amélia Cruz parecia já estar preparada, e falou sem parar: "Não fui eu que vi, foi uma das empregadas da casa. Você não suportou ver Alex protegendo Luiza ontem à noite, ficou com ciúmes e então bolou esse plano cruel para que Luiza fosse mordida por uma cobra na Mansão Leite. Assim, você tiraria a ‘rival’ do caminho e teria Alex só para você."
Enquanto ouvia, Celina franziu a testa sem perceber.
Olhando para Amélia, com aquele jeito todo sério de inventar histórias, Celina sentiu vontade de chamá-la de "mestre".
"... E, além disso, destruiria a relação entre as famílias Leite e Palma. Se a Família Leite não tivesse descendentes, você acabaria se vingando de mim também. Dois coelhos com uma cajadada só... Sua maldade realmente não tem limites!"
Renato Leite, que ouvia do lado, fechou os punhos até os nós dos dedos ficarem brancos, desejando poder calar a boca daquela mulher naquele instante.
Mas ainda não era o momento. Ele precisava se conter e, mais ainda, não podia defender Celina abertamente, para não levantar suspeitas de Samuel Leite e colocar a perder todos os planos dos últimos dias.
Alex Leite, vendo a convicção da mãe, olhou para Celina com certa dúvida.
"Isso tem mesmo a ver com você?"
Celina encarou o olhar dele, finalmente sem mais esconder a frieza e distância em seus olhos.
"Se tudo isso foi uma armadilha montada por sua Família Leite desde o início, então, caindo nela, será que eu nunca mais poderei me reerguer?"
Amélia ergueu o queixo, a voz cheia de arrogância. "Na nossa Família Leite, somos justos. Se você conseguir provar que não foi você quem colocou a cobra no quarto da Luiza Palma no meio da noite, a Família Leite não vai te prejudicar. Mas se não tiver provas..."
Ela olhou para Samuel. "Diga alguma coisa, o que vamos fazer com ela?"
Samuel franziu as sobrancelhas, prestes a falar, quando Félix Leite apareceu segurando um saco.
Dentro do saco havia uma cobra-coral prateada, já morta.
"Isso aqui é um hospital ou uma delegacia? A situação das pessoas lá dentro ainda não está clara, mas a cunhada só se preocupa em tirar quem incomoda do caminho?"
Samuel, alertado, percebeu imediatamente que o mais importante era garantir que Luiza estivesse bem.
"Alex, vai lá perguntar como está a situação lá dentro."

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