Luiza ficou atônita ao ouvir aquele chamado de "irmã".
Logo, a voz carinhosa de Flaviana continuou ecoando.
"Pode ficar tranquila, vou seguir direitinho as regras que a senhora me ensinou e vou cuidar bem, viu? Sempre soube que só com a sua orientação eu poderia agradar — nenhum homem consegue viver sem você, irmã."
Os homens ali estavam apenas procurando diversão no bar.
Ao ouvirem o que Flaviana disse, e vendo Luiza, que era um rosto novo para eles, imediatamente se interessaram.
"Essa irmã é nova por aqui, hein? Vem, vai lá na nossa sala particular fazer companhia pra gente, pode confiar que ninguém vai te tratar mal..."
Luiza jamais havia passado por tamanha grosseria. Antes que aquela mão gorda a tocasse, ela gritou, sem conseguir se conter.
"Não encostem em mim, seus porcos!"
Para os homens, aquela reação exacerbada parecia só encenação, como se ela estivesse querendo, mas ao mesmo tempo recusando.
O homem da camisa florida não recuou; pelo contrário, se aproximou sorrindo. "Já começou a brincadeira de faz de conta? Entrou no papel rapidinho, hein? Gostei, hoje à noite quero você."
Luiza acabou encurralada no canto do corredor. Assustada, com o rosto completamente pálido, ela gritava sem parar diante das mãos que se estendiam em sua direção.
Finalmente, o barulho chamou a atenção das pessoas na sala reservada.
Gaspar foi o primeiro a sair, afastando os homens que cercavam Luiza.
Félix veio logo atrás; assim que saiu, Luiza, ainda em choque, correu até ele e o abraçou.
Ela ficou colada ao peito dele, apertando-o com força.
"Cunhado, aquela mulher... eles..."
Ela mal conseguia falar, as palavras saíam entrecortadas, a voz embargada de choro, como se jamais tivesse passado por algo assim. As lágrimas caíam sem parar.
Flaviana, ao ver Félix, até ficou feliz, mas ao perceber Luiza agarrada a ele, soltou um risinho irônico.
"Agora há pouco estava toda cheia de pose na minha frente, toda altiva, e agora já está correndo pro colo do cunhado. Realmente, cada um com seu fetiche."
"Cunhado, foi ela, foi ela quem mandou aqueles homens me humilharem."
Os homens, meio bêbados, começaram a recobrar a consciência e apressaram-se em se explicar: "Foi você mesma que ficou de conversa com essa aí, chamando ela de irmã... a gente só achou que você trabalhava aqui também, só por isso fomos puxar assunto, não precisa nos acusar."
Flaviana já estava preparada e arqueou as sobrancelhas: "E eu com isso? Chamo todo mundo de irmã, ué. Mosca só pousa em ovo podre. Se a Srta. Palma foi confundida, talvez devesse olhar pra si mesma e pensar no motivo."

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