A empregada respondeu rapidamente: "Diretor Barbosa pediu desculpas e trouxe um ginseng coreano de quinhentos anos. Coloquei um pouco dele aqui."
Na verdade, o que ela tinha usado era um extrato concentrado de ginseng centenário—tinha despejado o frasco inteiro.
Amélia assentiu satisfeita e mandou que ela se retirasse.
……
À noite, Samuel foi novamente ao quarto de hospital de Renato.
À tarde, ele recebera o resultado da investigação sobre Karina Marques.
Era basicamente o que ouvira aquela noite, do lado de fora da porta do quarto.
Além disso, nos últimos anos, mãe e filho tinham passado por muitas dificuldades; até a casa em Rio no Céu só fora recuperada por ela depois de muita luta, caso contrário, nem teriam onde morar.
Isso fez com que Samuel sentisse uma pontada de compaixão, misturada a sentimentos contraditórios.
Ao chegar à porta do quarto, viu Karina, com todo cuidado, dando mingau ao filho.
A cena, iluminada por uma luz suave—a mãe dedicada e o filho obediente—fez com que ele se perdesse nos próprios pensamentos, entrando sem perceber.
Karina, ao vê-lo, estremeceu, quase deixando cair a tigela.
Num reflexo instintivo, ela se colocou à frente da cama, a voz trêmula.
"Não foi culpa do Renato, fui eu... fui eu que mandei ele te enganar... Se tem que culpar alguém, que seja a mim."
Na cama, Renato também se agitou, falando depressa: "Pai, foi ideia minha. Mamãe não queria que eu te reconhecesse. Naquele tempo, precisávamos muito de dinheiro, por isso..."
Karina abraçou o filho com força. "Chega, a culpa é minha, não devia ter te conhecido."
Depois disso, ela olhou novamente para Samuel. Ainda havia medo em seus olhos, mas agora também uma firmeza típica de mãe.
"Não nos faça mal, amanhã mesmo vamos deixar Cidade K. Não queremos um centavo seu."
Samuel, vendo o medo deles, sentiu sua inquietação se acalmar.
Fitou Karina, franzindo levemente a testa. "Por que não deixou ele me reconhecer?"

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