Quando chegaram ao cartório, era justo horário de almoço, e os portões estavam fechados.
Celina ficou feliz por um instante, antes de se lembrar de que ele era Félix!
O segundo certificado de casamento da sua vida chegou tão rápido que Celina ainda se sentia atordoada.
Fazia tão pouco tempo desde o divórcio? A grama no túmulo... não, a capa do último certificado de divórcio nem tinha pegado poeira ainda, e ela já estava se jogando em outra armadilha.
Félix abraçava a esposa reconhecida pela lei, com um sorriso tão confortável quanto um gato aquecido ao sol.
Quando entrou no carro, Celina perguntou, incerta: "Você... não vai pedir para assinar um acordo pré-nupcial ou algo assim?"
O olhar de Félix se desviou da janela e pousou no rosto dela, onde se lia claramente "isso não faz sentido". Ele respondeu suavemente: "Assinar esse tipo de coisa é desperdício de papel."
Celina ficou surpresa com o motivo dele. "E se no futuro nos divorciarmos, e eu quiser ficar com todo o seu patrimônio? O que você faria?"
Félix, ao ouvir isso, recolheu o sorriso do rosto. "Se realmente chegarmos a esse ponto, meu único pedido é que você me leve junto."
Celina ficou em silêncio.
Ela percebeu que havia uma força oculta na essência de Félix.
Mas, ao contrário da imposição alheia, a força dele estava em criar primeiro um espaço amplo o bastante, e fazer com que ela se sentisse sempre confortável e à vontade dentro desse universo.
Por ser tão sutil, essa força acabava se tornando uma forma de cuidado.
Celina enfiou o próprio certificado de casamento na mão dele. "O que vou fazer agora é muito importante. Guarde bem tudo o que precisa ser escondido."
Félix entendeu o significado das palavras dela e colocou um cartão na mão dela.
Celina ia recusar, mas ouviu o homem dizer: "Podemos manter segredo, mas não tente separar nossas vidas financeiras. Esse é meu cartão de salário, guarde para mim."
Celina ficou novamente sem palavras.
Janaina, que dirigia, não conseguiu segurar o riso.
Félix fez um "tss", e Janaina se calou imediatamente.
"Por que você não aprende as qualidades do Leon?", disse Félix.
Janaina respondeu com sinceridade, mas num tom brincalhão: "O Sr. Lessa é sofisticado demais, não consigo seguir o mesmo estilo dele."
Félix falou devagar: "A maior qualidade do Leon é que ele nunca fala demais, não importa com quem."
Janaina entendeu e fez um gesto de fechar a boca com zíper, voltando a dirigir.
Quando chegaram ao bairro Pederneira Verde, Celina ia descer, mas Félix ainda a segurava.

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