Ela jogou o celular da Celina dentro da própria bolsa e resmungou baixinho.
"Estou fazendo isso para o bem dele, pode ter certeza que ele me apoia. Não espere que venha aqui impedir alguma coisa."
Celina não respondeu e desviou o olhar para fora da janela.
O vento leste soprava, mas ela havia se tornado o barco de palha recebendo flechas; precisava lidar com o que viria com muita cautela.
Ao chegar ao hospital, não foram para o prédio principal de atendimento.
Celina continuava sendo levada por dois assistentes, um de cada lado, passando por um corredor de funcionários até um anexo conectado ao prédio principal do hospital.
O corredor estava vazio, nem mesmo uma placa indicava a porta, apenas uma luz branca e fria iluminava o centro da sala e a maca de exames, desconfortável só de olhar.
Havia apenas um médico, homem, e nem sequer uma enfermeira.
"Coloquem-na deitada."
A voz do médico soou gelada.
Os dois assistentes colocaram Celina sobre a maca, mas ela resistiu, debatendo-se com força.
Amélia trocou um olhar com outro assistente; mais dois secretários se aproximaram e imobilizaram as pernas de Celina.
Foi nesse momento que, de repente, BUM!
A porta do consultório foi violentamente arrombada, e Renato entrou correndo.
Ele viu Celina sendo imobilizada de modo humilhante por quatro pessoas e, sem hesitar, atirou-se para defendê-la.
"Tem alguém tentando impedir, o que estão esperando?"
Assim que Amélia deu o comando, o grupo de mais de dez pessoas que trouxera avançou e segurou Renato antes que ele conseguisse chegar perto de Celina.
"Tia, com o seu status, humilhar uma mulher desse jeito só vai manchar o nome da Família Leite. Até meu pai vai se envergonhar e culpar a senhora. Pense bem no que está fazendo."
Apesar do tom de conselho, as palavras eram como agulhas atingindo o ponto mais sensível de Amélia.
Ela ficou furiosa.

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