Geraldo ficou com o semblante carregado de preocupação. "Eles não recusaram explicitamente, mas impuseram várias condições rigorosas. A mais importante é que Jessica precisa passar por um exame completo deles; só se o estado de saúde dela atender a todos os padrões, concordam em fazer o transplante de coração."
Celina permaneceu em silêncio por um instante, depois disse: "Por mais rigorosos que sejam, nós vamos cooperar. Vamos seguir tudo conforme pediram, sem deixar margem para críticas, e descobrir qual é a real intenção deles."
Geraldo assentiu com a cabeça. "Só que eles vivem dizendo que vão mandar alguém examinar a Jessica, mas ficam adiando o tempo todo."
Celina olhou para ele, sem responder de imediato.
"Tem mais alguma coisa?" perguntou Geraldo.
"Se você quer investigar a origem do veneno, pode evitar usar o Jackson Tavares?"
Geraldo ficou em silêncio por dois segundos, depois assentiu. "Tudo bem."
Ao sair do bairro Pederneira Verde, o coração de Celina ficou ainda mais pesado.
Quando voltou para a Mansão Leite, Alex Leite já a esperava na sala de estar.
Amélia Cruz também estava lá.
"Por que voltou tão tarde?" Alex levantou-se para recebê-la, mas o cenho estava franzido.
"Hora extra." Celina respondeu de forma sucinta.
"Da próxima vez que fizer hora extra, me avise com antecedência."
O tom de Alex era duro, quase uma ordem.
Uma onda de irritação subiu dentro de Celina.
Mas ela respirou fundo e reprimiu a emoção, respondendo calmamente: "Está bem."
Amélia interveio de lado, com frieza: "Eu entendo por que o Jackson não quis mais você. Já são onze da noite e você nem pensa em voltar pra casa, desse jeito, qual homem de uma família tradicional aguentaria? Mulher, no final das contas, precisa colocar o homem em primeiro lugar."
Celina virou-se e lançou-lhe um olhar sereno, com um leve sorriso nos lábios. "E nesses anos todos, a senhora, Dona Leite, cumpriu bem o papel de acessório?"
"Você..."
Amélia ficou sem palavras, o rosto tingido de raiva.
"Estou cansada, vou descansar."
Celina não olhou mais para eles, subiu as escadas, deixando Alex descontente e Amélia com o semblante fechado.
"Filho, não seria melhor encontrar uma mulher dócil e dedicada, que ao chegar em casa se ajoelhasse pra trocar seus sapatos? Por que você gosta de uma mulher assim?"
Alex ouviu, mas seu descontentamento pareceu se dissipar.
"Esse tipo de serviço eu pago pra ter, qual é a graça?"
E foi para a cozinha.
Celina fechou a porta do quarto e finalmente apoiou-se na cintura dolorida desde a noite anterior.
Aquele chute não fora leve.

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