"Bom dia, Sr. Leite."
Celina sentou-se com cautela diante dele.
"Agora você é a ‘noiva’ do meu filho, não precisa ser tão formal. Pode me chamar de Sr. Leite, e eu a chamarei de Celina."
Samuel, embora falasse com gentileza, mantinha aquele tom inquestionável típico de quem está acostumado ao poder.
Celina assentiu. "Alex Leite foi muito bondoso comigo, só espero…"
O Diretor Leite fez um gesto, sinalizando que não precisava continuar.
"Eu entendo tudo isso. Hoje em dia, pessoas como você, que sabem reconhecer e retribuir um favor, são raras."
"Só busco viver em paz com minha consciência", murmurou Celina.
Samuel empurrou uma xícara de chá para ela, com um olhar de admiração nada disfarçado.
"Minha esposa tem um temperamento impulsivo, e nesses anos acabei mimando-a demais. Peço desculpas em nome dela. Sei que aquela noite lhe causou um susto."
Celina ficou bastante surpresa.
Então ele quis vê-la especialmente para pedir desculpas por Amélia?
Ela segurou a xícara, mas não bebeu.
Pensou por um momento, baixou o olhar e disse: "Na verdade, eu também deveria pedir desculpas à Sra. Leite. Mas naquela noite ela me trancou no camarote, e eu tive que encontrar uma maneira de me livrar do Diretor Barbosa sozinha. Jamais imaginei que ele teria coragem de agir daquela forma, agredindo diretamente a Sra. Leite."
Samuel, ao ouvir isso, esboçou um sorriso como se já soubesse de tudo.
"Quando estamos em apuros, é natural escolhermos o caminho que mais nos favorece. Não há do que se envergonhar. Já conversei com ela sobre isso depois. Você sabe se proteger, isso é ótimo. Mas a Família Leite ainda lhe deve respeito, e eu quero pessoalmente compensar isso."
"Eu realmente não tive nenhum prejuízo, o senhor não precisa…"

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