Celina virou o rosto para olhá-lo.
Os olhos de Geraldo estavam vermelhos.
"Por que não sou eu quem está lá dentro?" ele disse.
Celina olhou novamente pela janela de vidro. "Porque ela está cansada, quer descansar um pouco, enquanto você ainda tem muitas coisas importantes para fazer."
Geraldo olhou para ela, sem conseguir dizer nada.
Celina continuou: "Conseguir um coração não é fácil. Primeiro faça logo o teste de compatibilidade, depois peça para alguém investigar qual laboratório em Cidade Zeus está realizando o cultivo celular. Ainda há algum tempo até que ela tenha insuficiência cardíaca total, talvez consigamos uma chance com essa técnica de cultivo de coração."
Foi a primeira vez que Geraldo percebeu o quanto Celina era lógica ao falar.
"Pense bem em como salvá-la. Deixe que eu cuido de encontrar o culpado."
Celina não quis provocá-lo mais. Depois de falar, virou-se calmamente e foi embora.
Félix, preocupado, a seguiu.
Assim que Celina chegou ao corredor do elevador, o telefone tocou — era Alex.
"Seu amigo já saiu da sala de cirurgia?" Alex perguntou.
Celina, de mau humor, respondeu apenas com um som breve.
"Então por que não veio me ver?" ele perguntou.
"Você pode tentar me entender?" Celina retrucou.
Alex ficou surpreso.
Celina segurou a vontade de explodir: "Minha melhor amiga está na UTI, estou completamente perdida agora. Pode me dar um tempo para me recompor antes de te enfrentar?"
"Cla... claro."
Alex queria dizer algo para confortá-la, mas ficou espantado ao perceber que não encontrava palavras para consolá-la.
"Não fique tão triste. Somos noivos, se não estiver bem, pode vir me procurar a qualquer hora."

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