Sob o consolo suave dele, Celina acalmou-se, mas ainda assim envolveu sua cintura com os braços.
A ponta de seu nariz encostava no peito dele, aspirando o cheiro do corpo dele misturado ao aroma do sabonete. Ela acabou murmurando algo consigo mesma.
Félix não entendeu o que ela disse.
Dizem que as pessoas revelam seus segredos quando falam dormindo.
Félix soltou uma risada baixa, pronto para brincar com ela, mas, de repente, os dedos de Celina, mesmo sem enxergar, encontraram com precisão o segundo botão da camisa dele e o puxaram levemente.
As palavras de Félix ficaram presas na garganta, destruídas pelo choque que crescia dentro dele.
Na memória dele, aquela garotinha que sempre gostava de dormir encolhida em seus braços fazia o mesmo, prendendo os dedinhos nos botões da camisa dele, como se assim se sentisse mais segura.
"Nilton…"
Os dedos de Félix quase tocaram o rosto dela por instinto, mas pararam no ar, contidos.
Os anos lhe ensinaram a esmagar as emoções no fundo do coração.
Não era a primeira vez, nesses anos, que sentia a esperança acender e logo se apagar.
Algumas imitações quase perfeitas até sabiam fatos da infância dela, mas aqueles gestos forçados sempre acabavam sendo desmascarados por ele.
Com Celina… ele não queria mais agir por impulso.
Porque a esperança, quanto mais se acumula, mais dolorosa é a queda.
Pensando nisso, Félix ajeitou o cobertor sobre ela com calma e disse baixinho: "Quando acordar amanhã, não pode mais ficar triste, tá?"
A única resposta foi a respiração suave dela.

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