Jessica assentiu com a cabeça.
Celina disse: "Eu não vou ao hospital, quero ir para casa trocar de roupa e depois vou direto para o local do congresso."
"Celina," Jessica falou com um leve choro na voz, "olha só o estado em que você está! Agora, você precisa ir para o hospital."
Celina balançou a cabeça. "Eles me deram muitos remédios para eu ficar acordada durante os choques. Por enquanto, não vou desmaiar. Hoje, vou dar um segundo grande presente para o Jackson!"
Jessica ficou sem saber como convencê-la.
O homem olhou para trás e viu que ainda restavam marcas arroxeadas sob a pele de Celina, vestígios do choque elétrico; entre suas unhas, estavam crostas de sangue escuro, e o rosto, sem cor, exalava uma teimosia indescritível.
Mesmo ele, acostumado a tantas situações, não pôde evitar franzir as sobrancelhas.
A secretária, compreendendo a situação, perguntou o endereço e levou o carro até o prédio do apartamento.
Celina, apoiada por Jessica, desceu do carro. Depois de alguns passos, ela voltou de repente.
Ela estendeu a palma machucada em direção ao banco do passageiro.
"Você já me salvou quatro vezes... Posso saber seu nome?"
O olhar do homem passou pelas cicatrizes entrecruzadas em sua mão, e seu indicador pousou suavemente.
"Félix Leite."
A ponta fria de seu dedo percorreu a palma de Celina, contornando delicadamente cada ferimento.
Assim que terminou de escrever as três palavras, retirou a mão imediatamente, como se temesse machucá-la se tocasse por mais um segundo.
"Obrigada."
Celina fez uma reverência para ele.
Ela sabia que estava em um estado lamentável e não tinha forças para agradecer melhor.
Se houvesse destino, na próxima vez que se encontrassem, ela faria questão de retribuir.
"Chefe, vamos continuar?" perguntou a secretária, sorrindo.
"Você não conhece a minha agenda de hoje?"
Félix desviou o olhar e fechou a janela do carro.
A secretária comentou: "Essa Srta. Reis, no rosto, lembra uns cinquenta por cento daquela simulação de IA da senhora adulta. Acho que é uma coincidência interessante."
Jessica falou e acabou rindo sozinha.
"Celina," sentou-se ao lado dela, com um ar calculista, "se você for procurar um homem de novo, tem que ser alguém como o Diretor Leite. Com ele, é como se você tivesse uma armadura."
Celina tomou um gole do leite e sorriu com o comentário.
"Para de sonhar, não tenho chance. Eu vi a aliança no anelar da mão esquerda dele."
Além disso, depois do que aconteceu com Jackson, ela não queria mais casar. Queria ficar sozinha.
"É mesmo..."
Jessica pareceu um pouco desapontada.
Durante o pouco mais de um dia em que Celina ficou presa, Carlos não lhe deu nenhum alimento, mas, devido às drogas que recebeu, ela não sentiu fome.
O efeito dos remédios era temporário. Depois de trocar de roupa e cobrir o rosto com luvas e máscara para esconder os machucados, ela e Jessica saíram apressadas rumo ao centro de convenções.
Porém, ao chegarem à entrada, foram barradas.
O funcionário, com o convite de Jessica em mãos, lamentou: "Desculpe, o convite da Pederneira Verde foi cancelado."

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